Vista geral do edifício do Federal Bureau of Investigation (FBI), em Washington, D.C., nos Estados Unidos, em 28 de novembro de 2025. REUTERS/Nathan Howard Uma planilha com dados de funcionários do FBI, supostamente roubados pelo grupo de hackers ShinyHunters, contém informações sobre agentes envolvidos em operações relacionadas à China, Rússia, Irã, Hezbollah, vigilância e inteligência humana, segundo uma análise da Reuters.
O arquivo tem cerca de 5 mil linhas e, de acordo com os hackers, representa apenas uma pequena parte de um conjunto de dados de 2 a 3 terabytes que estaria em poder do grupo. A planilha inclui nomes, endereços, telefones, datas de nascimento, números de Previdência Social e contatos de emergência atribuídos a milhares de funcionários do FBI.
Segundo a Reuters, os dados também indicam os escritórios e unidades em que determinados funcionários trabalham, incluindo setores ligados a atividades de inteligência, segurança e contraespionagem. Entre as informações encontradas estão 14 funcionários relacionados a atividades envolvendo a China, incluindo integrantes de unidades identificadas como “China criminal enterprise unit”, “China tech transfer analysis unit” e “China intelligence section”.
Outros nove funcionários aparecem associados a funções relacionadas à Rússia. Entre eles estão dois integrantes da chamada “Russia Operations Section” e um funcionário ligado a ameaças à infraestrutura e à tecnologia russas. A planilha também relaciona três pessoas a atividades de inteligência com foco no Irã ou no Hezbollah.
Outros 18 funcionários são identificados em funções relacionadas a tecnologias de interceptação de dados e telecomunicações, operações técnicas clandestinas, acesso encoberto e vigilância por vídeo, áudio ou meios eletrônicos. Há ainda 11 funcionários associados à chamada HUMINT, sigla em inglês para inteligência obtida a partir de fontes humanas.
FBI diz que investiga invasão Em comunicado, o FBI afirmou estar ciente de que um grupo de criminosos cibernéticos alega ter comprometido o portal FBIJobs.gov e obtido informações pessoais de funcionários. A agência disse que a causa do possível vazamento ainda não foi determinada e que está investigando o caso. A ShinyHunters afirmou na terça-feira que invadiu sistemas do FBI e roubou dados de funcionários atuais e antigos.
O grupo disse que mantém as informações como forma de pressionar a agência a retirar uma declaração feita em maio sobre os hackers. A Reuters não conseguiu autenticar toda a planilha. No entanto, a agência afirma ter confirmado individualmente informações de mais de 22 pessoas ao comparar os dados vazados com registros de crédito e informações de vazamentos anteriores obtidas pela plataforma de inteligência da dark web District 4 Labs.
A Reuters também verificou informações profissionais de oito pessoas comparando os dados com processos judiciais, reportagens, perfis públicos no LinkedIn e publicações em redes sociais. Ainda assim, a agência ressalta que não foi possível confirmar se todas as funções atribuídas aos funcionários são autênticas ou estão atualizadas.
Agora no g1 Especialistas apontam risco para agentes Para Eric O’Neill, ex-agente de contrainteligência do FBI, os dados supostamente roubados poderiam ter grande valor para serviços de inteligência estrangeiros. Ele afirmou à Reuters que países interessados nas operações do FBI poderiam buscar informações sobre os funcionários envolvidos nessas atividades.
Trevor Hilligoss, ex-investigador do Exército dos Estados Unidos que trabalhou com o FBI, chamou atenção especialmente para a identificação de funcionários ligados à inteligência humana. Segundo ele, a exposição dessas informações pode representar um risco adicional para pessoas que atuam em funções sigilosas. O vazamento também inclui contatos de emergência.
Hilligoss destacou que essas informações podem envolver cônjuges ou filhos dos funcionários, que podem ter menos conhecimento sobre procedimentos de segurança operacional. Hackers dizem ter mais dados A ShinyHunters afirmou à Reuters que possui outros arquivos além da planilha divulgada. O grupo já havia dito anteriormente que teria obtido documentos relacionados à verificação de funcionários e candidatos, contratação de investigações de antecedentes e dados médicos sensíveis de agentes.
A Reuters, porém, não conseguiu verificar o que mais estaria em poder dos hackers. O FBI havia afirmado em maio que a ShinyHunters, em algumas ocasiões, fez alegações exageradas sobre acesso a informações sensíveis ou pessoais para pressionar vítimas a pagar. O grupo nega que suas ameaças sejam falsas e afirma que a declaração do FBI foi um dos motivos para atacar a agência.
FBI Getty Images/via BBC Vista geral do edifício do Federal Bureau of Investigation (FBI), em Washington, D.C., nos Estados Unidos, em 28 de novembro de 2025. REUTERS/Nathan Howard.
