EJA contribui para a construção de novas oportunidades individuais e de trabalho Marco Flávio No Brasil, uma parcela significativa da população convive com os efeitos da interrupção da trajetória escolar. Segundo dados do Ministério da Educação, mais de 11 milhões de brasileiros não são alfabetizados, uma realidade que amplia desigualdades e limita oportunidades ao longo da vida.

Nesse contexto, a Educação de Jovens e Adultos (EJA) desempenha um papel importante ao ampliar o acesso à educação e oferecer novas possibilidades para quem deseja retomar os estudos. Voltar para a sala de aula na vida adulta pode representar a oportunidade de reconstruir um projeto de vida, fortalecer a autoestima, a autonomia, melhorar a condição social e abrir caminhos para novas conquistas.

O que significa a EJA, Educação de Jovens e Adultos A Educação de Jovens e Adultos é uma modalidade de ensino voltada para pessoas que não tiveram acesso ou não deram continuidade aos estudos na idade considerada regular. Segundo o Ministério da Educação, a EJA garante o direito à educação e amplia as oportunidades de inclusão educacional para diferentes perfis de estudantes.

Esse processo está diretamente ligado ao conceito de educação ao longo da vida, um elemento fundamental para o desenvolvimento das pessoas e para a participação plena na sociedade. Como destaca a Unesco, a educação de adultos desempenha um papel importante na promoção da cidadania, na redução das desigualdades e na criação de oportunidades para o desenvolvimento humano e econômico.

Por isso, a EJA não deve ser vista apenas como uma alternativa para recuperar conteúdos, mas como uma experiência capaz de promover desenvolvimento humano e apoiar a construção de novos projetos de vida. Na Fundação Bradesco, a proposta pedagógica foi desenvolvida especificamente para atender às necessidades desse público.

"O ponto de partida da nossa proposta é o reconhecimento de que o estudante da EJA é um jovem, um adulto ou um idoso que traz consigo uma história, saberes construídos no trabalho e na vida e realidades muito distintas conforme o território em que vive.

Toda a estrutura da nossa oferta nasce desse olhar, com um currículo que considera todas as especificidades do nosso público e oferece flexibilização, uma vez que o estudante pode ter outras responsabilidades que o afastem da escola", afirma Barbara Frasseto, líder de inovação pedagógica da Fundação Bradesco. O desafio de conciliar múltiplas jornadas Grande parte dos estudantes da EJA precisa conciliar trabalho, cuidados com a família e tarefas domésticas.

Essa realidade é especialmente presente entre mulheres que, mesmo diante de múltiplas responsabilidades, encontram na educação uma oportunidade de investir em si mesmas e construir novos caminhos. Nesse cenário, a permanência escolar se torna um dos principais desafios da modalidade. Horários flexíveis, metodologias adequadas ao perfil adulto e ambientes acolhedores são fatores que contribuem para que os estudantes consigam seguir sua trajetória educacional.

Segundo Barbara Frasseto, a estratégia da Fundação Bradesco é evitar que a escola represente mais uma sobrecarga na rotina dos alunos. "Nossa estratégia consiste em fazer com que a escola não se torne mais um peso nessa equação. Isso se traduz na flexibilização de horários e de frequência, em práticas pedagógicas que respeitam o contexto adulto e em um investimento na escola e em equipes capacitadas e empáticas, preparadas para acolher as diferentes situações de vida dos estudantes.

Os resultados confirmam o acerto desse caminho: nosso índice de evasão é baixo, um forte indicativo do sentimento de pertencimento dos estudantes à escola", aponta. Educação, empregabilidade e cidadania Para muitos brasileiros, a educação representa a possibilidade de acessar o primeiro emprego formal, buscar novas posições ou ampliar perspectivas de crescimento profissional. Mas seus impactos vão além da carreira.

O acesso ao conhecimento fortalece a autonomia, estimula a cidadania ativa e contribui para decisões mais conscientes no dia a dia. É o caso de quem, ao retomar os estudos, consegue acompanhar a lição de casa dos filhos, compreender melhor seus direitos ou ampliar sua visão de mundo.

"Um dos efeitos mais profundos da EJA é perceber nos alunos o desenvolvimento da autonomia em sua trajetória formativa e se tornarem protagonistas da própria aprendizagem, capazes de buscar novos conhecimentos, construir novos projetos de vida e fortalecer seus sonhos. São transformações que ultrapassam o âmbito profissional e alcançam a autoestima, a participação social e a maneira como cada pessoa passa a enxergar o próprio potencial", destaca Barbara Frasseto.

Aprender em qualquer fase da vida Quem interrompeu os estudos cedo muitas vezes carrega a sensação de estar um passo atrás. Voltar à escola não apaga esse histórico, mas oferece ferramentas para reescrevê-lo e reafirma que a aprendizagem pode acontecer em qualquer fase da vida. Na avaliação de Barbara Frasseto, esse retorno só faz sentido quando a escola reconhece e valoriza a trajetória que cada estudante construiu antes de voltar à sala de aula.

"Na EJA da Fundação Bradesco, o aluno tem a garantia de que sua trajetória será valorizada, assim como os saberes e as práticas que desenvolveu ao longo da vida. A escola não ignora o que essa pessoa já construiu; ao contrário, parte disso. Para além dos conteúdos e das avaliações, promovemos a autonomia, a ampliação da visão cultural e aprendizagens contextualizadas e significativas, conectadas à realidade de cada um.

Assim, ocorre um movimento duplo: o estudante é transformado pela educação e, ao mesmo tempo, ressignifica sua relação com a escola ", conclui Barbara Frasseto. A Fundação Bradesco acredita no poder da educação ao longo da vida e desenvolve iniciativas que ampliam o acesso ao conhecimento, fortalecem o protagonismo dos estudantes e contribuem para a construção de novas trajetórias pessoais, sociais e profissionais. Saiba mais.

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