Durante dois dias, Londrina se transforma na capital das discussões sobre gestão de resíduos. É na cidade, nos dias 5 e 6 de novembro, que acontece a quarta edição do Fórum Norte Paranaense em Gestão de Resíduos Sólidos e a segunda edição do Fórum Brasileiro em Gestão de Resíduos. Em pauta, discussões políticas públicas, economia circular, logística reversa, cooperativas de reciclagem, novas tecnologias, financiamento e experiências que podem contribuir para melhorar a gestão de resíduos nos municípios.
O evento, que é gratuito e aberto ao público, será na Unicesumar Londrina, e tem realização da Associação Norte Paranaense dos Engenheiros Ambientais (ANPEA), do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (CREA-PR) e do Sebrae, com patrocínio do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA) e da Mútua – Caixa de Assistência dos Profissionais do Crea. Já consolidado no Paraná e referência no Brasil, o fórum ganhou caráter internacional com representantes da Suécia e Portugal.
No primeiro dia, os debates serão concentrados na transformação das políticas públicas em resultados concretos, especialmente nas cidades de pequeno e médio porte. “A programação inclui discussões sobre governança, fiscalização e articulação institucional, além de indicadores e metas para acompanhar os resultados das ações.
Também estarão em pauta os instrumentos para desenvolver a economia circular, a responsabilidade compartilhada entre empresas e poder público na logística reversa e o fortalecimento das cooperativas de catadores, com foco na inclusão produtiva, na coleta seletiva e na sustentabilidade econômica da reciclagem”, afirma o engenheiro ambiental Marcos Rodrigues, presidente da ANPEA.
No dia 6, a programação dará destaque à aplicação de tecnologias na gestão de resíduos, com debates sobre o uso de dados, inteligência artificial, rastreabilidade e automação para aprimorar o monitoramento, a fiscalização e a tomada de decisões. Outro tema será a experiência de Portugal no setor, com reflexões sobre o que pode ser aproveitado no Paraná.
À tarde, serão apresentadas boas práticas de municípios, consórcios e instituições, além de discussões sobre a elaboração de projetos e as possibilidades de financiamento por meio de recursos públicos, linhas de crédito, fundos e cooperação internacional. O encerramento será dedicado aos principais gargalos da gestão de resíduos no Paraná, com a participação de representantes de instituições responsáveis pela regulação, fiscalização e implementação das políticas ambientais.
“A proposta é reunir os diagnósticos e as contribuições dos participantes para apontar prioridades e caminhos de ação para municípios, estado, setor privado, cooperativas e sociedade civil. Dessa forma, queremos estimular a troca de experiências e contribuir para a construção de soluções viáveis, integradas e capazes de gerar resultados efetivos na gestão dos resíduos sólidos”, diz Marcos Rodrigues. Temas importantes Engenheiro ambiental Marcos Rodrigues, na organização do fórum.
Divulgação. O engenheiro ambiental Helder Nocko, vice-presidente do CREA-PR, é um dos convidados de um painel do fórum. Ele foi coordenador do Plano Estadual de Resíduos e falará também pela entidade, apresentando o programa Mais Engenharia, que é uma alternativa de viabilização de recursos para aplicação em projetos de gestão de resíduos nos municípios.
“O fórum já está virando um evento tradicional e essa quarta edição também tem a realização do CREA-PR. Ficamos felizes quando conseguimos, por meio de nossas políticas, editais em termos de fomento, apoiar eventos que, de fato, contribuem com os profissionais da engenharia, agronomia e geociências, mas, também, com a sociedade”, ressalta.
Na avaliação de Helder, o fórum tem atraído cada vez mais profissionais da região e de outras partes do Brasil, além de se tornar protagonista de discussões importantes do ponto de vista técnico. “É legal que o evento traz entidades brasileiras e internacionais, com viés de formação aos municípios, que é sempre uma dificuldade, e dos profissionais que trabalham nos municípios terem formação na área de resíduos sólidos.
Essa é uma área em que tanto o Paraná quanto o Brasil precisam de muitos investimentos e muito trabalho, para que a gente consiga universalizar a gestão dos resíduos sólidos, seguindo o que preconiza o novo Marco Legal do Saneamento, que é a universalização dos serviços de resíduos sólidos, até 2033.” Para o presidente do CREA-PR, o engenheiro agrônomo Clodomir Ascari, o 4º Fórum Norte Paranaense e 2º Fórum Brasileiro em Gestão de Resíduos Sólidos é uma oportunidade para reunir profissionais, gestores públicos, empresas, universidades e instituições em torno de um desafio que impacta diretamente a qualidade de vida da população e o desenvolvimento dos nossos municípios.
“Precisamos avançar da discussão para a prática, compartilhando experiências, conhecendo novas tecnologias e buscando soluções que possam ser aplicadas à realidade de cada município. Por isso, a parceria entre o Crea-PR, a ANPEA e o Sebrae, com apoio do Confea e Mútua é tão importante”, avalia. Clodomir destaca a parceria com entidades.
“Quando unimos competências e aproximamos instituições, profissionais e empreendedores, criamos condições para desenvolver projetos mais eficientes, ampliar a sustentabilidade e gerar resultados concretos para a sociedade. O Crea-PR acredita que a engenharia, a agronomia e as geociências têm muito a contribuir nesse processo, oferecendo conhecimento técnico para transformar desafios em soluções e promover o desenvolvimento sustentável do Paraná”, complementa.
Relevância Hugo Pedrosa, coordenador do programa de cooperação internacional na agência ambiental da Suécia. Divulgação. O Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente, Habitação e Urbanismo (GAEMA) Regional de Londrina é um importante parceiro e apoiador do evento.
O coordenador do grupo, o promotor de Justiça da Comarca de Centenário do Sul, Renato dos Santos Sant’Anna, considera que a chegada à quarta edição é um sintoma de relevância e continuidade desse espaço de diálogo. “Um dos principais resultados de iniciativas como essa é a construção de uma rede de relacionamento entre profissionais, gestores públicos, empresas, pesquisadores e demais atores envolvidos na gestão de resíduos.
Ao longo das edições, a troca de conhecimentos contribui para ampliar a conscientização, aproximar diferentes setores e estimular novas parcerias e iniciativas. E Londrina passa a ser identificada como um nome de ponta quando a temática é a gestão de resíduos sólidos urbanos”, afirma o promotor.
Renato considera ainda que o Fórum de Gestão de Resíduos Sólidos é uma oportunidade para ampliar o debate sobre um dos grandes desafios da sociedade contemporânea: como produzir, consumir e descartar de maneira mais sustentável. “O evento reúne diferentes atores para compartilhar conhecimentos, discutir soluções e fortalecer iniciativas que contribuam para uma gestão mais eficiente dos resíduos, com benefícios ambientais, sociais e econômicos.
É também um espaço importante para aproximar o poder público, o setor produtivo, as instituições de pesquisa, os trabalhadores e a sociedade como um todo”, diz. Entre as temáticas que o promotor considera importantes, estão a economia circular, a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, a coleta seletiva, a reciclagem, a logística reversa e a inclusão dos catadores.
“Também é importante avançar no debate sobre inovação tecnológica, políticas públicas e modelos de financiamento que tornem a gestão de resíduos mais eficiente e viável economicamente. O grande desafio é transformar o conhecimento e as experiências compartilhadas em ações concretas, capazes de gerar resultados efetivos para a sociedade e para o meio ambiente”, comenta. Internacionalização À esquerda, promotor Renato dos Santos Sant’Anna, coordenador do GAEMA.
Divulgação. Pelo segundo ano consecutivo, o fórum recebe representantes de outros países, como Suécia e Portugal. “A dimensão internacional do fórum é importante porque os desafios relacionados aos resíduos são globais, embora cada país tenha suas próprias características, necessidades e realidades.
A troca de experiências permite conhecer soluções que já estão sendo aplicadas em outros lugares, identificar boas práticas e compreender o que pode ser adaptado à realidade brasileira”, avalia o promotor Renato. Hugo Pedrosa, por exemplo, coordenador do programa de cooperação internacional na agência ambiental da Suécia, participa do fórum pelo segundo ano consecutivo e observa uma mudança de comportamento em relação à gestão de resíduos.
“Podemos comprovar como há municípios que têm desenvolvidos planos municipais de gestão de resíduos que não tinham há quatro anos.
Também é possível ver que a consciência dos técnicos e promotores públicos é melhor, além do interesse para atingir objetivos de consumo sustentável, desenvolver a bioeconomia local e limitar o uso dos produtos prejudiciais é mais presente”, ressalta De acordo com ele, o Fórum de Gestão de Resíduos Sólidos é um ambiente importantíssimo para discutir práticas, processos e políticas que melhorem essa questão e impactem no futuro.
“Neste mundo, produzimos muitas coisas que, depois da sua vida útil, criam problemas para o meio ambiente e para a sociedade. É por isso que devemos trocar experencias sobre as melhores práticas e, assim, melhorar o nosso entorno e as possibilidades de gerações futuras”, diz.
Para ele, são importantes pautas como políticas públicas e processos, o começo das cadeias de valor: como produzir produtos com uma vida útil longa e a existência de sistemas de logística reversa para que o consumo seja sustentável e não prejudicial para o meio ambiente e as sociedades. Daí a importância de um fórum internacional, que realize o intercâmbio entre diversas realidades.
“As consequências do nosso consumo são globais: os plásticos acabam no mar, a qualidade do ar é pior cada dia, a mudança do clima afeta todas as latitudes e nosso consumo tem efeitos negativos na biodiversidade a nível global. É por isso que devemos ter a mesmas metas, objetivos similares que tenham um efeito real no planeta. Alinhar objetivos e políticas é essencial se queremos que as gerações futuras tenham a mesmas possibilidades que nós hoje”, complementa Hugo.
