Você já teve a sensação de estar fazendo tudo o que esperam de você e, ainda assim, sentir que alguma coisa não vai bem? O excesso de responsabilidades, as exigências profissionais, os conflitos familiares e as dificuldades nos relacionamentos podem produzir sofrimento emocional. Em meio à rotina, nem sempre encontramos espaço para reconhecer nossas próprias necessidades.

Mas como identificar quando esse sofrimento merece atenção profissional? A psicóloga Elisabete Garcia Marangon, mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP, especialista em Terapia de Família e Casal, explica que compreender a saúde mental exige considerar não apenas os sentimentos individuais, mas também as experiências e relações que atravessam nossa história. Clínica Elisabete Marangon Quando o sofrimento emocional merece atenção?

Sentimentos como tristeza, medo, ansiedade e frustração fazem parte da experiência humana e não representam, necessariamente, um transtorno psicológico. Entretanto, quando o sofrimento se torna persistente ou começa a comprometer a qualidade de vida, é importante buscar atenção. Alterações no sono, irritabilidade frequente, esgotamento, dificuldades de concentração e perda de interesse por atividades antes prazerosas podem indicar a necessidade de cuidado.

Segundo Elisabete, uma mesma situação pode produzir impactos diferentes em cada pessoa, dependendo de sua história e dos significados atribuídos à experiência. Como nossas relações influenciam a saúde mental? Desde a infância, aprendemos nas relações familiares diferentes maneiras de expressar sentimentos, lidar com conflitos e construir vínculos.

Essas experiências nos acompanham ao longo da vida e podem influenciar a maneira como nos relacionamos, enfrentamos dificuldades e compreendemos a nós mesmos. "Reconhecer essas influências nos ajuda a perceber comportamentos e reações que continuam presentes, mesmo quando já não correspondem ao que desejamos para nossa vida." Qual é o papel da psicoterapia individual?

A psicoterapia individual oferece um espaço de escuta e reflexão sobre nossas experiências, permitindo identificar padrões que se repetem e encontrar outras possibilidades diante das dificuldades. Na perspectiva sistêmica e relacional, o processo terapêutico considera a singularidade de cada pessoa e os diferentes contextos familiares, afetivos e sociais dos quais participa.

"A psicoterapia pode ajudar a pessoa a reconhecer seus sentimentos, compreender suas necessidades e diferenciar aquilo que deseja para si das expectativas que aprendeu a atender ao longo da vida", destaca Elisabete. Em meio às exigências do cotidiano, nem sempre percebemos o que estamos sentindo. Situações aparentemente simples podem despertar emoções que, quando não compreendidas, contribuem para sentimentos de angústia e ansiedade.

Segundo a psicóloga, desenvolver uma escuta mais atenta de si mesmo pode ajudar a identificar essas experiências antes que o sofrimento se intensifique. Clínica Elisabete Marangon Divulgação Quatro perguntas podem orientar essa reflexão: O que estou sentindo? Por que estou sentindo isso?

O que aconteceu para que eu me sentisse assim? O que posso fazer a respeito? Essas perguntas convidam a reconhecer emoções, compreender os acontecimentos e significados associados a elas e refletir sobre possíveis maneiras de lidar com o que estamos vivendo.

"Nem sempre podemos mudar aquilo que acontece ao nosso redor, mas podemos ampliar a compreensão sobre o que sentimos e encontrar novas possibilidades de responder às situações", explica Elisabete. É preciso estar em crise para procurar terapia? Não.

O acompanhamento psicológico não precisa começar apenas quando o sofrimento se torna intenso. A psicoterapia também pode favorecer o autoconhecimento, a compreensão de conflitos e o enfrentamento de mudanças importantes. O cuidado com a saúde mental envolve ainda atitudes cotidianas, como respeitar momentos de descanso, cultivar relações significativas e reconhecer os próprios limites.

Para Elisabete, cuidar da saúde mental não significa eliminar todas as dificuldades ou estar bem o tempo todo. "Significa ampliar nossa compreensão sobre o que vivemos e encontrar possibilidades de cuidado que respeitem nossa história, nossas necessidades e nossa individualidade." Elisabete Garcia Marangon, CRP - 06/66237