O relatório da equipe técnica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), feito por determinação do presidente da Corte, ministro Nunes Marques, aponta que não foram encontradas publicações com informações consideradas falsas pela Corte no canal “Exército do Lula”, no WhatsApp. "Não foram localizadas novas publicações que reproduzam os conteúdos examinados nos autos [notícias falsas alvos de decisões do TSE] ressalvando o conteúdo de vídeos que, pela urgência, não foram transcritos", diz o relatório.
No entanto, no documento, o assessor especial de enfrentamento à desinformação da Corte, Frederico Alvim, faz um alerta para riscos da disseminação em massa de mensagens às vésperas do segundo turno das eleições. O relatório também afirma que muitas mensagens de setembro foram deletadas, o que dificulta uma análise mais aprofundada (veja mais abaixo).
Corregedor do TSE libera canal 'Exército do Lula' e suspende decisão de Nunes Marques Coordenado pelo deputado eleito André Janones (Rede-MG), o canal "Exército do Lula" tem mais de 3 milhões de inscritos. O objetivo é compartilhar áudios, vídeos e orientações para apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL) disputam a Presidência da República no segundo turno das eleições deste ano, marcado para 25 de outubro.
O impasse na Justiça Eleitoral começou com um pedido da campanha de Flávio, que alegou que o canal reproduzia notícias falsas contra o candidato. LEIA TAMBÉM: 'O que não pode é o presidente da Corte Eleitoral ter lado na política', diz Lula Lula e Flávio Bolsonaro Amanda Perobelli/Reuters e Evaristo Sá/AFP O que diz o relatório O documento destaca que a análise foi feita entre 2 e 11 de outubro, porque parte das publicações originais de setembro foi apagada.
Apesar de afirmar que não foram identificadas notícias falsas sobre o candidato adversário, a assessoria de Enfrentamento à Desinformação do TSE faz um alerta para o potencial de alcance elevado das publicações. Entre os fatores apontados estão o potencial de alcance elevado das publicações, o volume expressivo de encaminhamentos e a existência de orientações coordenadas para mobilizar seguidores e ampliar a circulação de conteúdos.
Esses fatores, na prática, podem potencializar uma eventual disseminação em massa de conteúdos falsos contra o candidato adversário, às vésperas do pleito. A análise também destaca o uso recorrente de linguagem polarizadora nas mensagens, que, segundo a equipe técnica, pode estimular uma lógica de confronto em um período próximo ao segundo turno. Disputa no TSE O relatório foi produzido por determinação do ministro Nunes Marques após o caso gerar uma nova disputa de liminares no TSE.
Nesse domingo (11), o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, suspendeu a ordem do presidente da Corte, Nunes Marques, e reabilitou o funcionamento do canal de WhatsApp. A nova decisão é preliminar e deverá ser discutida pelo plenário do TSE. Apesar da decisão de manter o funcionamento do canal, Cueva determinou que não será permitida a vinculação de conteúdos falsos que já foram analisados pelo TSE e, em caso de descumprimento, poderá suspender novamente a página.
Candidatos criticaram decisões O presidente Lula (PT), candidato à reeleição, chamou nesse domingo (11) de "absurda" a decisão de Nunes Marques de suspender o canal "Exército de Lula" no WhatsApp e disse que a campanha vai pedir explicações. "Acho um absurdo.
Acho que os nossos advogados vão ter que entrar com um pedido de explicação do critério, porque já há alguns dias eu estou percebendo que há muitas decisões tendenciosas contra a nossa candidatura", disse Lula a jornalistas antes de participar de um ato com apoiadores na Avenida Paulista, em São Paulo. Flávio Bolsonaro (PL), por sua vez, afirmou que é alvo de mentiras por parte da campanha do adversário. Ele afirmou que é alvo de um "canal de divulgação de mentiras em massa", mas não citou o nome.
