Flávio Bolsonaro em pronunciamento após perder eleição. Agustin Marcarian/Reuters A Polícia Federal (PF) apontou riscos "concretos e atuais" de fuga em pedido ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para apreender o passaporte e proibir a saída do país do candidato derrotado nas eleições presidenciais Flávio Bolsonaro (PL).
Na avaliação da PF, três elementos centrais indicavam que Flávio Bolsonaro poderia sair do Brasil sob a justificativa de suposta perseguição política: a manifestação pública e direta do deputado cassado Eduardo Bolsonaro, recomendando ao irmão a saída do país; o expressivo poder econômico; e a existência de estruturas já estabelecidas no exterior que poderiam viabilizar permanência prolongada.
Flávio Bolsonaro não entregou o documento. O prazo para que apresentasse o passaporte terminou às 11h desta terça-feira (27). Segundo informações divulgadas pelo blog da jornalista Andreia Sadi, no g1, a PF apura se o senador derrotado nas urnas no último domingo (25) deixou o Brasil, mesmo com a proibição do STF de sair do país.
Fala de Eduardo Bolsonaro O pedido da PF lembrou de declaração de Eduardo Bolsonaro em que ele defendeu que o irmão deixasse o país em caso de derrota na disputa ao Palácio do Planalto. "Em entrevista concedida recentemente nos Estados Unidos, EDUARDO BOLSONARO, irmão do Senador FLÁVIO BOLSONARO, defendeu publicamente que este deixe o país caso não obtenha êxito no pleito eleitoral. Cabe recordar que EDUARDO BOLSONARO foi recentemente condenado pelo crime de coação no curso do processo".
Ainda de acordo com a PF, o posicionamento de Eduardo "não pode ser examinado de forma isolada". A corporação ressaltou também no documento que Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro, está fora do país desde 25 de agosto. Para a PF, isso ocorreu mesmo após Moraes ter determinado a proibição de sua saída do país e o cancelamento de todos os seus passaportes.
"Conforme já evidenciado nos autos, WILLER TOMAZ dispõe de recursos financeiros suficientes para permanecer indefinidamente no exterior, caso assim deseje." Vínculo com Willer Tomaz A decisão de Moraes, após ter sido acionado pela PF, faz parte do processo em que Flávio Bolsonaro é investigado pela relação com o advogado Willer Tomaz, em um suposto esquema que envolveria empresas de Tomaz e apostas esportivas. O caso segue em sigilo de justiça.
Flávio Bolsonaro também é formalmente investigado em inquérito aberto para apurar a possível prática de crimes relacionados ao financiamento da produção do filme "Dark Horse", sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Supeitas sobre o destino do dinheiro de Vorcaro nos EUA No pedido, a PF cita cita ainda a suspeita, em averiguação, de que recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro tenham sido utilizados para a manutenção da estrutura de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
O deputado cassado vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025. "Somam-se a isso dois elementos relevantes. O primeiro é que EDUARDO BOLSONARO, ao que tudo indica, já mantém nos Estados Unidos estrutura voltada à permanência de longa duração. O segundo é que permanece sob apuração o real destino dos recursos remetidos aos Estados Unidos por DANIEL VORCARO, por intermédio do doleiro ANTONIO FREIXO. Não está descartada a hipótese de que parte desses valores tenha sido destinada ao custeio da permanência de EDUARDO BOLSONARO em território estadunidense".
