Benjamin Netanyahu e Gadi Eisenkot Yonatan Sindel/Pool via REUTERS e REUTERS/Shir Torem No impasse que se estabeleceu o cenário pós-eleitoral em Israel, há uma certeza: o expressivo desempenho dos partidos árabes, que conquistaram 19 cadeiras no Parlamento, dá a eles um papel decisivo para a formação de um novo governo.
✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp SANDRA COHEN: Eleição em Israel equivale a julgamento popular de Netanyahu Pode-se afirmar que a oposição ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu venceu as eleições, adicionando os dois partidos árabes — Raam e Lista Conjunta — ao bloco sionista liderado pelo ex-chefe do Exército Gadi Eisenkot. Juntos, somariam 66 cadeiras e formariam a maioria parlamentar no Knesset capaz de desmantelar o governo extremista consolidado pelo atual premiê.
O problema é como viabilizar, na prática, essa alternativa. Sem eles, o bloco de Eisenkot tem 47 assentos e o de Netanyahu, 54, com 77% dos votos apurados. Ambos estão aquém da maioria exigida de 61 deputados.
Experiências anteriores mostram que formar uma coalizão governista com a integração dos árabes é um desafio intrincado. O Raam fez parte, em 2021, do governo dividido entre Naftali Bennett e Yair Lapid, que durou apenas um ano. Mas, no cenário atual, em que a participação desses eleitores foi recorde e se refletiu no resultado, torna-se impossível ignorar o peso dessa parcela do eleitorado.
Partidos árabes crescem no parlamento de Israel, diz pesquisa O bloco de Netanyahu descarta completamente a opção e a recíproca é verdadeira. Durante a campanha, Eisenkot fez exigências para negociar com os árabes: reconhecer Israel como um Estado judeu e democrático, aceitar o serviço militar como obrigatório e desmantelar o Hamas como organização terrorista. Segundo o próprio Eisenkot, os dois partidos não concordaram com estas condições.
O Raam deve conquistar 6 cadeiras e a Lista Conjunta, formada por três partidos de origem palestina, 11. Juntos, ampliam a sua representação para quase o dobro dos dez assentos em relação à eleição passada. No entender do presidente da Lista Conjunta, Yousef Jabareen, o bloco de Eisenkot não está em condições de impor exigências.
“Qualquer pessoa que queira oferecer uma alternativa substancial e genuína ao governo sanguinário de Netanyahu terá que conversar conosco para abrir caminho para a mudança que o público israelense tanto anseia. Ou continuamos com o racismo, a exclusão e a supremacia, ou temos uma verdadeira parceria judaico-árabe”, declarou, confiante, após a divulgação da boca-de-urna.
A participação dos dois partidos árabes divide os israelenses, embora mais de 61% aprovem um governo com o Raam, segundo pesquisa recente da Universidade Hebraica de Jerusalém. Mas somente este partido é insuficiente para viabilizar um futuro governo. Prestes a conquistar oito cadeiras, o líder do partido de esquerda Democratas defendeu a união do bloco de Eisenkot com os árabes, sob o argumento de que não há futuro em Israel sob a égide do medo.
“Não podemos mais aceitar a divisão racista de Netanyahu entre votos judeus e votos árabes”, escreveu Yair Golan no X. Esta negociação, porém, esbarra na resistência de figuras que integram o bloco anti-Netanyahu, como o ex-ministro da Defesa e chanceler Avigdor Lieberman, que representa a linha-dura e deverá ter sete deputados. A dúvida aqui é saber quem renunciará às promessas de campanha para compor a fragmentada oposição israelense.
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