Quatro filhotes de coruja suindara estão em reabilitação na UFRA, em Belém Quatro filhotes de coruja suindara, conhecida como "rasga-mortalha", estão em processo de reabilitação no Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Selvagens da Universidade Federal Rural da Amazônia (Cetras/UFRA), em Belém. As aves foram encontradas dentro de uma sacola plástica em Benevides, na Região Metropolitana. O que chama a atenção é o protocolo bem diferente usado para cuidar dos bichinhos.

Uma vez por dia, o processo se repete: roupa e máscara cobrem o corpo e o rosto do cuidador para esconder a silhueta humana. Além disso, os cuidadores seguram em uma das mãos um "fantoche de coruja", que faz parte da técnica e simula a alimentação natural, feita pela mãe. Desde que chegaram ao centro, é assim que os quatro filhotes são tratados.

"O histórico que foi passado pra gente foi que esses animais foram encontrados em um terreno baldio", contou a médica veterinária residente Rayanne Silveira. Segundo ela, os filhotes têm idades diferentes, o que exigiu cuidados específicos para cada fase de desenvolvimento. Manejo "anti-imprinting" Técnica usada por profissionais para simular uma alimentação feita pela mãe das corujas, como é na natureza.

Cetras / UFRA A rotina que parece curiosa e até fofa tem um papel decisivo no futuro dos animais. As técnicas usadas durante os cuidados com as aves fazem parte do manejo anti-imprinting, um conjunto de protocolos utilizados na conservação e na reabilitação de animais selvagens para impedir que os filhotes criem um vínculo afetivo, de dependência ou de identidade com seres humanos. Segundo a veterinária, os detalhes importam para preservar o comportamento natural e garantir a soltura na natureza com sucesso.

A suindara é uma das espécies controladoras biológicas mais eficientes da natureza. Ela se alimenta principalmente de roedores, insetos e até morcegos, desempenhando um importante papel ecológico no controle de pragas. ✅ Receba as notícias do g1 Pará direto no WhatsApp Além das novas hóspedes, o Cetras UFRA abriga e reabilita também mamíferos, répteis e várias outras espécies de aves.

Inaugurado em 2021, o centro já realizou mais de cinco mil atendimentos em animais selvagens, o que representa a conservação da fauna amazônica por meio da reabilitação, da pesquisa, do ensino e da extensão. Os profissionais envolvidos disseram que, no caso dos quatro filhotes de coruja, ainda serão necessárias algumas semanas de acompanhamento em cada etapa de crescimento e evolução. Mas a torcida é para que elas possam ser livres o mais breve possível.

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