Jockey Club de São Paulo, Hipódromo Cidade Jardim, inaugurado em 25 de janeiro de 1941, na Zona Oeste de SP ALF RIBEIRO/ESTADÃO CONTEÚDO O Jockey Club de São Paulo fechou um acordo com a prefeitura da capital para quitar uma dívida tributária estimada originalmente em R$ 871 milhões com o pagamento de R$ 228 milhões. Na negociação, houve um desconto de R$ 643 milhões no valor devido.
Como contrapartida, a entidade deve construir um parque municipal de 85 mil m² na Cidade Jardim, na Zona Sul, com investimento de R$ 100 milhões. A entrega está prevista para 1º de outubro de 2028. O acordo foi formalizado nesta quinta-feira (29), com a assinatura de um termo de cooperação entre a gestão Ricardo Nunes (MDB) e o Jockey.
O parque será instalado no interior da pista do hipódromo, área que será cedida ao município e deverá oferecer quadras esportivas, lagos, bosque sensorial, circuito de caminhada, espaços infantis e áreas para animais de estimação. A negociação financeira envolve o banco BTG Pactual e faz parte de um plano mais amplo de recuperação da instituição, que inclui a quitação de dívidas, a restauração de bens tombados e a remodelação do hipódromo.
A parceria foi aprovada por unanimidade pelos associados do Jockey em assembleia realizada em 13 de outubro na Câmara Municipal. O termo de cooperação envolve a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL) e a Procuradoria Geral do Município (PGM). Como funciona o desconto de R$ 643 milhões O débito tributário municipal do Jockey Club foi estimado originalmente em R$ 871 milhões.
Com a negociação, o valor a ser pago à prefeitura foi reduzido para R$ 228 milhões, uma diferença de R$ 643 milhões. A redução decorre da aplicação de condições previstas no Programa de Transação Tributária do município, que permite negociar débitos com o poder público. Durante uma reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Jockey Club, instalada na Câmara em 2025, representantes da instituição afirmaram que o valor negociado considera os descontos previstos no programa.
Na ocasião, o conselheiro Renato Junqueira Filho explicou que a nova gestão do clube, que assumiu neste ano, havia identificado um passivo total de R$ 1,3 bilhão, incluindo dívidas tributárias, trabalhistas e cíveis. O valor de R$ 228 milhões corresponde ao montante tributário negociado com o município, e não ao conjunto de todas as obrigações financeiras da instituição.
O modelo apresentado prevê a venda de títulos do clube para gerar recursos destinados ao cumprimento das obrigações financeiras assumidas com o banco. “É um modelo de financiamento, os recursos vão viabilizar o pagamento dos passivos. Vamos construir um novo clube, moderno, para cerca de 14 mil frequentadores.
O Jockey vai vender os títulos e a venda deles paga as obrigações com o banco conforme acordo. Assim, vamos atingir a recuperação financeira e institucional do Jockey”, afirmou o conselheiro. Vereador questionou acordo A redução da dívida foi questionada durante a reunião da CPI na Câmara Municipal.
O vereador Roberto Tripoli (PV) criticou a diferença entre o valor originalmente cobrado e o montante negociado e manifestou dúvidas sobre a capacidade das atividades do clube de gerar recursos para sustentar sua recuperação financeira. “Estamos perdendo mais de R$ 400 milhões, a história começa mal. Respeito vocês como técnicos, mas vocês dizem que o turfe vai acrescentar e ser responsável pela quitação da dívida.
Eu discordo, pois hoje temos apenas 400 sócios. Não sou a favor da corrida de cavalo e já nos posicionamos sobre isso aqui. Agora, o BTG Pactual está entrando em um negócio”, disse.
O presidente do Jockey Club, Vicente Renato Paolillo, argumentou que parte dos valores cobrados ainda era discutida judicialmente e que a instituição não reconhecia todos os débitos apontados. “Temos uma vantagem, sim, devemos cerca de R$ 800 milhões e vamos pagar pouco mais de R$ 200 milhões, porém não é só para nós, mas uma Lei aprovada aqui. Agora, o passivo não é totalmente certo, a maior parte vem sendo discutida na Justiça, pois não reconhecemos alguns valores como devido”, afirmou.
Já o vereador Gilberto Nascimento (PL), responsável por conduzir os trabalhos da comissão, avaliou positivamente o plano apresentado e disse que o acordo poderia permitir a quitação dos débitos e a continuidade das atividades do clube. A CPI Instalada pela Câmara Municipal em novembro de 2025, a CPI do Jockey Club foi criada para investigar os débitos da instituição e possíveis irregularidades no uso de recursos públicos destinados ao restauro do patrimônio histórico do clube.
A comissão também buscava esclarecer a situação financeira da entidade e suas obrigações com o poder público. O acordo anunciado em outubro e formalizado com a prefeitura nesta quinta-feira ocorre nesse contexto de apuração. A negociação prevê a regularização da dívida tributária municipal, enquanto o plano de recuperação do clube inclui outras obrigações financeiras e intervenções no complexo.
Jockey Club promete pagar dívida com desconto e entregar parque público em CPI na Câmara Municipal
