O que se sabe sobre a morte da estudante Isabelle Caracristi A jovem Isabelle Caracristi foi encontrada morta no último dia 13 de setembro, no bairro Aldeota, em Fortaleza. O caso, encarado como suicídio, teve uma reviravolta com a prisão do namorado dela, João Munhoz Neto, de 34 anos. A Polícia Civil não descartou nenhuma linha de investigação e analisa se o namorado induziu a jovem a tirar a própria vida.
✅ Clique e siga o canal do g1 Ceará no WhatsApp Pelo menos oito pessoas foram ouvidas, aparelhos eletrônicos foram analisados, perícias foram realizadas e centenas de vídeos são verificados. O g1 listou (veja abaixo) os principais pontos do caso da morte da universitária.
CASO ISABELLE CARACRISTI: Polícia diz que rooftop de onde jovem caiu não tinha câmeras de segurança Mãe de namorado da jovem é exonerada de cargo de direção na Secretaria da Administração Penitenciária Depoimentos apontam que namorado tinha comportamento controlador e tentava deixá-la isolada, diz delegado 1. Antes da morte Antes de ir ao condomínio onde foi encontrada morta, Isabelle esteve com a mãe, a professora Isorlanda Caracristi.
A mãe disse que a filha tinha relatado que estava com dores no pescoço e quis passar o fim de semana juntas, dias antes da morte. No sábado, dia 12 de setembro, Isabelle foi com a mãe para o aniversário de um familiar. No domingo, ela relatou que iria para uma missa e procissão na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Fortaleza, com o namorado e a mãe dele.
2. Queda do rooftop No dia 13 de setembro, Isabelle foi filmada por câmeras de segurança do condomínio chegando ao local e sendo recebida por João na portaria. Depois, ele e a mãe saíram do condomínio em um carro.
Em depoimento à polícia, João disse que, na noite do dia 13, ele saiu para uma missa, enquanto ela ficou no apartamento onde ambos moravam. Imagens internas do condomínio mostraram Isabelle sozinha em um elevador, com o celular na mão. Ela seguiu para o rooftop, no 23º andar.
Cerca de duas horas depois, ela é encontrada morta. A investigação da Polícia Civil apontou que a morte dela foi motivada por precipitação voluntária (suicídio) do rooftop do prédio. O corpo teve múltiplas lesões com a queda, mas não apresentava sinais de violência.
Mais de 700 vídeos estão sendo analisados pela Polícia Civil. O delegado-geral da Polícia Civil, Márcio Gutiérrez, informou que não há câmeras de segurança no rooftop, mas imagens de outros pontos do prédio e de áreas próximas corroboram a conclusão da investigação sobre a queda. 3.
Primeiros trabalhos investigativos Ainda na noite do dia 13, uma equipe da Perícia Forense do Ceará (Pefoce) foi acionada para atender à ocorrência. Durante os exames, foram identificadas lesões no corpo da estudante compatíveis com impacto contra o solo. O caso é investigado pela 2ª Delegacia de Polícia Civil de Fortaleza.
Na noite do último domingo (20), a Secretaria da Segurança Pública informou que o celular e um tablet da mãe dele, identificada como Sara Regina Alexandre Munhoz, foram apreendidos pela Polícia Civil. O mandado de busca e apreensão foi cumprido no Cumbuco, em Caucaia, na região metropolitana de Fortaleza.
O perito-geral do Ceará, Júlio Torres, disse que, ainda na noite do dia 13, após a chegada da Polícia Militar, que isolou o local, um perito criminal fez uma primeira análise no condomínio; primeiro no apartamento onde morava o casal para verificar se havia sinais de briga ou violência, o que não foi encontrado. Depois, foi periciado o rooftop do condomínio. 4.
Namorado não colabora com investigação O delegado geral da Polícia Civil revelou que depoimentos apontam que, no dia seguinte à morte de Isabelle, João Munhoz foi até o condomínio onde morava com a universitária em busca do celular dela. Segundo os relatos, o apartamento teria sido limpo e colocado à venda. “A Polícia Civil iniciou as investigações e já percebeu que a postura do João era uma postura não colaborativa”, comentou Márcio Gutiérrez.
João ainda teria proibido a entrada de familiares de Isabelle no imóvel e deixado o local carregando malas. Nos dias seguintes à morte, ele não constituiu advogado e mudou de endereço. Só 8 dias após a morte, o bacharel em Direito compareceu à delegacia, acompanhado de advogada.
“Em nenhum momento, ele se colocou à disposição para o esclarecimento dos fatos”, afirmou o chefe da Polícia Civil. 5. Depoimento do namorado No depoimento, João Munhoz apresentou uma versão divergente da apresentada pela sogra.
O bacharel em direito disse que pediu ao irmão que ligasse para Isorlanda, pois estava abalado demais para conversar com a sogra. João disse que o irmão conversou por aproximadamente 22 segundos com Isorlanda até que ela própria encerrou a chamada. O bacharel em direito falou ainda que, após a ligação entre irmão e sogra, a cunhada dele enviou mensagens mais detalhadas informando que Isabelle havia morrido por suicídio.
O g1 teve acesso ao depoimento que João Munhoz prestou na noite de segunda-feira (21), horas antes de ser preso, no 2º Distrito Policial. Ele relatou que foi à missa sozinho no Santuário de Nossa Senhora de Fátima, no domingo, 13 de setembro - geralmente, aos dias 13 de cada mês, o santuário tem uma programação especial com várias missas por dia. João falou que ficou esperando o início da nova missa quando recebeu as últimas mensagens de Isabelle, nas quais ela relatava estar com dor.
Ele disse ter colocado o celular no modo silencioso para a missa e, somente após o horário que ela morreu, ele voltou a olhar o aparelho. Foi o irmão de João quem viu no grupo de WhatsApp do condomínio mensagens dos moradores dizendo que uma pessoa havia cometido suicídio. Em seguida, comunicou a João sobre o ocorrido.
Após saber a descrição da vítima, João afirmou que passou a suspeitar que poderia ser Isabelle e entrou em desespero. O irmão de João o pegou de carro após a missa e o levou ao prédio. Ao chegar ao condomínio, Munhoz contou que a perícia já estava no local.
Ele também disse que os policiais fizeram buscas no seu apartamento para recolher pertences de Isabelle. Em relato nas redes sociais, a mãe de Isabelle informou que o namorado e a sogra da filha não retornaram nenhuma tentativa de contato nem se manifestaram desde a morte da jovem. 6.
Prisão do namorado João Munhoz foi preso, na terça-feira (22), e passou por audiência de custódia no dia seguinte. A Justiça manteve a prisão preventiva dele. Ele é suspeito de violência psicológica contra a namorada e de indução ao suicídio.
Os investigadores encontraram indícios de violência psicológica e de comportamento controlador por parte de João Munhoz, que teria causado constrangimentos a Isabelle e buscado afastá-la do convívio com outras pessoas. A polícia não informou se são esses indícios que corroboram a suspeita de indução ao suicídio. "Os depoimentos apontam relacionamento abusivo, violência psicológica.
Inclusive, isso foi levado em consideração no momento da prisão. As informações prestadas por testemunhas e obtidas também através da investigação da Polícia Civil apontam que o João mantinha ali uma relação de controle, de limitação de ir e vir. Temos depoimentos que afirmam que a Isabelle não podia sequer Ir sozinha na farmácia, descer do escritório", detalhou Márcio Gutiérrez.
7. Próximos passos da investigação A Secretaria da Segurança Pública realizou uma coletiva de imprensa no fim da manhã desta quarta-feira. Na ocasião, Márcio Gutiérrez disse que a Polícia Civil iria ouvir mais depoimentos ainda nesta quarta.
"Temos depoimentos que afirmam que a Isabelle não podia sequer Ir sozinha na farmácia, descer do escritório. Então, logicamente, estamos buscando a corroboração de todas essas informações que foram prestadas, temos muitos depoimentos nesse sentido", informou o delegado-geral. A Polícia Civil ressaltou que outras linhas de investigação ainda não foram completamente descartadas e que o caso permanece em aberto.
A corporação falou também que continua analisando as imagens de câmeras de videomonitoramento do condomínio e dados de aparelhos celulares apreendidos. Infográfico: Morte da estudante Isabelle Caracristi, em Fortaleza Arte g1 Assista aos vídeos mais vistos do Ceará
