Descanso, organização dos estudos e atenção aos próprios limites fazem parte da preparação para o Enem. Imagem gerada por Inteligência Artificial. Organizar os estudos e cuidar do bem-estar são partes da preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026.
Segundo Pedro Vittor Garcias Gonçalves, psicólogo escolar do Colégio Nacional (CRP 04/76334), a expectativa pelo resultado, a escolha profissional e as preocupações com o futuro podem tornar a reta final especialmente desafiadora. “Sentir ansiedade, medo ou insegurança neste momento não significa estar despreparado”, afirma. Para o profissional, a tensão diante de uma situação importante não apaga o percurso de aulas, revisões e tentativas construído ao longo do ano.
Em vez de buscar eliminar completamente o nervosismo, a orientação é encontrar maneiras de lidar com ele sem deixar que tome conta da rotina. Descanso, alimentação, sono e lazer também precisam ter espaço nesse período. Estude com estratégia e respeite seus limites A vontade de revisar tudo pode aumentar a sensação de urgência.
No entanto, tentar aprender todo o conteúdo desde o início em poucos dias pode gerar sobrecarga. Pedro recomenda priorizar revisões, resolução de questões e retomada dos assuntos já estudados. Os exercícios ajudam a identificar dúvidas e a ganhar familiaridade com o formato da prova.
Outro cuidado é considerar o tempo disponível e estabelecer uma organização realista. Dividir os estudos em blocos, alternando concentração e pequenas pausas, é uma possibilidade. “Mais do que passar horas revisando, o objetivo é aproveitar melhor o tempo e reconhecer os próprios limites”, orienta o psicólogo.
O cuidado com o corpo também faz parte da preparação A preparação também acontece fora dos momentos de estudo. Dormir bem contribui para a atenção e a memória, importantes tanto para aprender quanto para realizar a prova. Trocar noites de sono por horas extras de revisão pode prejudicar esse processo.
Manter uma alimentação variada e regular, beber água e incluir atividades físicas na rotina são outras formas de cuidado indicadas pelo profissional. A proposta não é fazer mudanças radicais, mas preservar pequenas escolhas consistentes que contribuam para o bem-estar. O lazer também merece espaço.
Encontrar amigos, ouvir música, assistir a um filme ou dedicar tempo a uma atividade de que se gosta não precisa ser motivo de culpa. Para Pedro, os interesses e as relações fazem parte do cuidado de si. Evite medir sua preparação pelas redes sociais Publicações sobre longas jornadas de estudo, listas de conteúdos revisados e resultados de simulados podem ampliar a impressão de que todos estão mais preparados.
O psicólogo lembra que cada estudante tem uma trajetória, com oportunidades, dificuldades e ritmos diferentes. O que aparece nas redes é um recorte da realidade de alguém. Em vez de usar esse conteúdo como medida do próprio desempenho, a orientação é reconhecer os avanços e identificar o que ainda pode ser feito dentro do tempo disponível.
Reorganize a atenção diante de uma questão difícil No dia do Enem, além do conhecimento, fatores como cansaço e administração do tempo também entram em cena. Se uma questão parecer complicada, isso não significa que todo o desempenho esteja comprometido. Respirar com calma, reorganizar a atenção e seguir para outra questão são estratégias que podem ajudar a recuperar o foco.
“Nenhum exame resume o que um estudante é, aprendeu ou poderá construir no futuro”, ressalta Pedro. O Enem é uma etapa importante, mas não define a capacidade ou todas as possibilidades de quem participa. A recomendação final é concentrar os esforços no que ainda está ao alcance, cuidar das condições que favorecem a aprendizagem e reconhecer o processo construído até aqui.
Chegar à prova não exige saber absolutamente tudo, mas aproveitar o caminho percorrido e os recursos disponíveis.
