Motorista e supervisor vão a júri por acidente com seis mortos na BR-277, dez anos depois José do Nascimento Pacheco, motorista do caminhão-tanque que se envolveu em um acidente que causou a morte de seis pessoas e feriu outras 14 na BR-277, em Morretes, no Litoral do Paraná, foi condenado a 52 anos de prisão e dois anos e quatro meses de detenção. A defesa dele informou que vai recorrer. A sentença foi proferida na noite de quinta-feira (29), dez anos após a tragédia.

César Henrique de Souza Peroba, supervisor direto do motorista, foi absolvido. ✅ Siga o canal do g1 Paraná no WhatsApp Segundo a denúncia do Ministério Público do Paraná (MPPR), o veículo, que transportava etanol, apresentava problemas no sistema de freios e continuou a viagem. Na descida da Serra do Mar, o caminhão bateu contra uma mureta de proteção, invadiu a pista contrária e atingiu outros 11 veículos.

Nove deles pegaram fogo. A tragédia aconteceu em 3 de julho de 2016. Segundo a acusação, o motorista havia avisado o supervisor sobre os problemas nos freios, mas a viagem foi mantida.

Laudos periciais apontaram que o caminhão trafegava entre 116 km/h e 132 km/h no momento do impacto, em um trecho em que o limite para veículos pesados era de 60 km/h. O Ministério Público ofereceu denúncia contra os dois por seis homicídios, três lesões corporais graves e sete lesões corporais leves, e sustentou que eles assumiram o risco de provocar as mortes e os ferimentos.

Dez anos depois, motorista e supervisor vão a júri por acidente que matou seis pessoas em Morretes, no litoral do Paraná Reprodução/RPC Crimes ambientais Além da denúncia pelos crimes dolosos contra a vida, o Ministério Público também denunciou a empresa responsável pelo caminhão, o motorista e o supervisor pela prática de crimes ambientais.

Isso porque o derramamento de aproximadamente 44 mil litros de etanol, substância inflamável, provocou danos a uma área de preservação permanente às margens da rodovia, com contaminação da água e do solo. Na ação penal relacionada aos crimes ambientais, que ainda está em tramitação, com recursos pendentes de julgamento, o motorista foi condenado à pena de um ano de detenção e ao pagamento de 20 dias-multa, em regime inicial aberto. A pena privativa de liberdade foi substituída por uma pena restritiva de direitos.

O supervisor foi absolvido após o juízo concluir pela insuficiência de provas para a condenação. LEIA TAMBÉM: Trânsito: Motorista preso por embriaguez após acidente que matou família já tem registro anterior por fugir da polícia e dirigir sem ter CNH Crime: Homem confessa ter falsificado mais de 40 atestados médicos e vendido documentos por R$ 50 Vídeo: Mulher é atropelada por carro em alta velocidade durante comemoração pela vitória de Lula O que dizem as defesas?

Por meio de nota, a defesa de José do Nascimento Pacheco lamentou a condenação e afirmou que a pena é desproporcional ao caso. "A defesa ingressará com todos os recursos cabíveis nas instâncias superiores com a finalidade de alcançar a justiça", diz a nota. O advogado Márcio Dal Piva, responsável pela defesa do supervisor César Henrique de Souza Peroba, classificou a decisão como "acertada e justa".

Leia a nota: "A decisão reconhece aquilo que a defesa sustentou ao longo do processo, a ausência de qualquer participação ou omissão de Cesar Henrique Peroba nos fatos que deram origem ao trágico e lamentável acidente. A defesa manifesta seu profundo respeito e solidariedade às vítimas e aos seus familiares, reconhecendo a dimensão da dor e das perdas decorrentes dessa tragédia.

Contudo, é fundamental ressaltar que a Justiça não se concretiza apenas por meio de condenações, mas também, e sobretudo, quando se reconhece a inocência de quem não contribuiu para os fatos e se assegura sua liberdade.

A decisão dos jurados reafirma a importância de um julgamento justo, pautado nas provas e na responsabilidade individual, demonstrando que a busca pela Justiça deve sempre prevalecer sobre qualquer expectativa de condenação." Relembre o acidente Dez anos depois, motorista e supervisor vão a júri por acidente que matou seis pessoas em Morretes, no litoral do Paraná Reprodução/RPC O acidente aconteceu por volta das 17h50 de domingo, 3 de julho de 2016, no quilômetro 34 da BR-277, no sentido Curitiba-Paranaguá.

O caminhão-tanque transportava 44 mil litros de etanol quando bateu contra a mureta que divide as pistas. Depois do impacto, a carreta invadiu a pista contrária e atingiu outros veículos. O combustível inflamável provocou um incêndio de grandes proporções.

Na época, as duas pistas da rodovia chegaram a ficar totalmente interditadas para que as equipes controlassem as chamas e atendessem as vítimas. O motorista do caminhão-tanque não se feriu e ficou preso por dois dias. Ele foi solto após pagar fiança de R$ 8,8 mil.

Quem são as vítimas Pedro Idalgo Filho; Caroline Fernanda Grassmann Martins e Luiz Carlos Silva; Anderson Cunha e Gabriel Cunha; Ana Carolina Novacoski Reprodução/Facebook Entre as seis pessoas que morreram estavam Anderson Luiz Cunha, de 43 anos, o filho dele, Gabriel Cunha, de 12, e Ana Carolina Novacoski, de 35, que viajavam juntos. Também morreram Caroline Fernanda Grassmann Martins, de 22 anos, e Luiz Carlos da Silva, de 26, pais de uma bebê que sobreviveu à tragédia.

A bebê Maria Fernanda tinha 17 dias de vida na época. Ela foi encontrada com vida nas proximidades do acidente e levada ao Hospital Evangélico, em Curitiba. Segundo testemunhas ouvidas na época, o pai conseguiu retirá-la do carro da família.

A criança recebeu alta médica dois dias depois. A sexta vítima foi Pedro Idalgo Filho, de 55 anos. Ele foi resgatado com vida e encaminhado ao Hospital Evangélico, em Curitiba, com cerca de 90% do corpo queimado, mas morreu dois dias depois.

O que diz a acusação Dez anos depois, motorista e supervisor vão a júri por acidente que matou seis pessoas em Morretes, no litoral do Paraná Reprodução/RPC Segundo o MPPR, o caminhão apresentava problemas no sistema de freios antes do acidente. Em depoimento à polícia, o motorista relatou que o veículo havia apresentado falhas na semana anterior e que, na véspera da tragédia, o painel indicou um problema no sistema de ar.

A denúncia afirma que Pacheco comunicou as falhas ao supervisor por WhatsApp, mas continuou a viagem. Para o Ministério Público, Peroba também tinha conhecimento dos problemas e teria determinado que o transporte prosseguisse. Laudos periciais apontaram que o caminhão trafegava entre 116 km/h e 132 km/h no momento do impacto.

No trecho, o limite de velocidade para veículos pesados era de 60 km/h. Para o Ministério Público, os dois assumiram o risco de provocar as mortes e os ferimentos, o que caracteriza dolo eventual. A denúncia inclui seis homicídios, três lesões corporais graves e sete lesões corporais leves.

Dez anos depois, motorista e supervisor vão a júri por acidente que matou seis pessoas em Morretes, no litoral do Paraná Reprodução/RPC Assista aos vídeos do g1 Paraná: Leia mais no g1 Paraná.