Câmeras corporais podem ajudar a esclarecer tiroteio entre policiais que deixou morto agente do Bope Policiais militares fardados, em uma viatura caracterizada da corporação e durante uma abordagem foram confundidos com criminosos por outros PMs. A confusão terminou em uma troca de tiros que matou o subtenente do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) Glaucio Marcelo da Silva, de 54 anos, e deixou outros agentes feridos.

O caso aconteceu na madrugada de domingo (11), na Freguesia, na Zona Oeste do Rio, e levantou questionamentos sobre a comunicação entre diferentes unidades da Polícia Militar. Segundo a própria PM, agentes do Batalhão de Jacarepaguá confundiram os policiais do Bope com criminosos e atiraram contra eles. A corporação atribuiu a confusão à baixa luminosidade da região.

O episódio, tratado como um caso de "fogo amigo", ainda é investigado, e câmeras corporais dos policiais serão analisadas. Uma das principais dúvidas é como policiais da mesma corporação não conseguiram identificar uns aos outros, mesmo com uma das equipes uniformizada e em uma viatura oficial. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Agente do Bope morto perdeu irmão 1 ano antes Reprodução Como aconteceu o tiroteio?

A troca de tiros ocorreu na Rua Guilherme Moreira, conhecida como Beco do Saci, um dos acessos à comunidade da Gardênia Azul. De acordo com a Polícia Militar, uma equipe do Bope realizava a abordagem ao motorista de um carro quando policiais do Batalhão de Jacarepaguá chegaram à região. Os agentes do Bope estavam fardados e em uma viatura caracterizada, mas, segundo a corporação, foram confundidos com criminosos pelos policiais do outro batalhão.

O encontro terminou em uma troca de tiros entre as equipes. Moradores relataram momentos de pânico. Uma câmera de segurança de um condomínio próximo registrou o barulho dos disparos.

'O Bope fazia parte dele', diz ex-mulher de subtenente morto em tiroteio entre PMs 20 minutos de tiros Uma testemunha que mora na região há 43 anos afirmou que o tiroteio durou cerca de 20 minutos. "A gente tava dormindo, normal, meio da madrugada. Começou um tiroteio assustador, a gente acordou com o barulho.

Eu moro aqui há quarenta e três anos, nunca passei por isso dessa magnitude assim, foram vinte minutos incessantes", contou. O morador disse que precisou deixar o quarto e procurar abrigo no corredor de casa, onde havia mais paredes para protegê-lo de possíveis disparos. Tiroteio deixa um PM do Bope morto e outros quatro agentes feridos na Gardênia Azul Reprodução Por que os policiais não se reconheceram?

A explicação apresentada pela Polícia Militar é que a baixa luminosidade do local contribuiu para que os agentes do Batalhão de Jacarepaguá confundissem os integrantes do Bope com criminosos. Moradores também confirmaram que a rua onde ocorreu o confronto é muito escura. Mas ainda não está esclarecido por que a identificação dos policiais e da viatura não foi suficiente para evitar o confronto.

Outro ponto que precisa ser esclarecido é a comunicação entre os batalhões. A família do subtenente Glaucio afirma ter recebido inicialmente a informação de que não havia ocorrido comunicação sobre a presença do Bope na região. Posteriormente, no entanto, soube que um aviso teria sido feito.

"A gente quer entender exatamente o que aconteceu porque de primeira mão foi passado pra nós que não houve uma comunicação e nós já sabemos que foi feita uma comunicação", afirmou a ex-mulher do policial. Ela questiona se a informação chegou a todos os agentes envolvidos na ocorrência. "A gente quer entender quem foi comunicado, essa pessoa passou a comunicação pra todo o batalhão ou porque, se sabiam que estava naquela área, porque que aconteceu isso tudo?", perguntou.

O que está sendo investigado? A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) investiga as circunstâncias da morte do subtenente. Policiais civis fizeram uma perícia no local do confronto e recolheram cápsulas de munição que estavam espalhadas pelo chão e em veículos da Polícia Militar.

Os agentes envolvidos na ocorrência também já foram ouvidos. A investigação deverá esclarecer a dinâmica dos disparos e as circunstâncias que levaram ao confronto entre policiais de duas unidades da mesma corporação. Entre as questões ainda sem resposta estão a comunicação prévia entre os batalhões, a identificação das equipes e o que provocou o início dos tiros.

Quem era o policial morto? O subtenente Glaucio Marcelo da Silva tinha 54 anos, era pai de três filhos e completaria 26 anos de carreira na Polícia Militar em dezembro. A maior parte de sua trajetória profissional foi dedicada ao Bope, unidade pela qual, segundo familiares, tinha uma ligação especial.

"O Gláucio era um apaixonado pelo trabalho dele. Ele falava que aquilo ali fazia parte dele. Não é que ele fazia parte do Bope.

O Bope fazia parte dele", contou a ex-mulher. O policial foi enterrado na segunda-feira (12), em uma cerimônia acompanhada por centenas de integrantes da Polícia Militar. A morte representou a segunda perda de um policial militar na família em menos de um ano.

Em outubro de 2025, um irmão de Glaucio, também PM, morreu durante a Operação Contenção, realizada na Penha, na Zona Norte do Rio. A operação deixou 122 mortos, segundo os dados divulgados à época. Outros policiais ficaram feridos Além de Glaucio, outros policiais foram baleados durante o confronto.

Dois agentes que ficaram feridos tiveram alta hospitalar e compareceram ao enterro do subtenente, ainda com curativos nas mãos e nas pernas. Eles não quiseram conceder entrevistas. Segundo as informações divulgadas na segunda-feira (12), três policiais continuavam internados no Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca.