Bióloga retrata biodiversidade em diferentes técnicas artísticas Maíra Gonzales Mezzacappa Formada em Ciências Biológicas pela USP, Maíra Gonzales Mezzacappa encontrou na arte uma forma de unir conhecimento científico e admiração pela biodiversidade. Do desenho em papel à pintura em madeira e, mais recentemente, à cerâmica fria, a bióloga transforma aves e outros elementos da natureza em obras produzidas com diferentes técnicas.
📱 Acompanhe o Terra da Gente também no Instagram Maíra concluiu o curso de Ciências Biológicas da USP em 2012, no campus Luiz de Queiroz, em Piracicaba (SP). Durante a graduação, participou de estágios em pesquisa, mas, logo após se formar, decidiu seguir pelo universo da ilustração científica. A formação na área ainda serve de base para a produção artística, que mantém o rigor científico na representação das espécies.
"O desenho em papel foi onde comecei, desde a infância, até os primeiros trabalhos profissionais. É a superfície mais convencional e aceita uma infinidade de técnicas. Recentemente produzi uma pequena coleção de artes feitas com aquarela de terra, confeccionada por uma amiga artista que utiliza pigmentos naturais encontrados no solo da Serra da Mantiqueira.
Além dessas artes, também produzi diversas ilustrações em lápis de cor para os livros Darwin no Brasil, e Viagem aos Biomas do Brasil, da Editora Duas Aspas", conta Maíra. Veja mais notícias do Terra da Gente, no g1: 'TRETA' OU PREDAÇÃO?
Cangambá é flagrado mordendo cauda de jiboia na copa de árvore VÍDEO: Beija-flores trocam bicadas e protagonizam disputa no chão e no ar em Eldorado (SP) 'EXPERIÊNCIA MARAVILHOSA': Peixes-lua são encontrados no mar de Ilhabela; veja o vídeo Veja o que é destaque no g1: Agora no g1 O gosto e a admiração pela arte fizeram a bióloga buscar outras formas e técnicas de expressão. Em 2023, o Terra da Gente publicou uma reportagem sobre a arte de Maíra Mezzacappa.
Na época, ela fazia os primeiros trabalhos de pintura em madeira. "Eu vejo um grande amadurecimento nesse intervalo. De lá para cá, aprendi melhor a trabalhar com a tinta acrílica, desenvolvi um melhor entendimento com relação às cores, fui aprimorando meu traço e comecei a construir meu nome no ramo da arte ornitológica", explica Maíra.
Hoje, as obras em madeira concentram as principais demandas da artista. Entre os formatos oferecidos, os ímãs e os quadros — produzidos em bolachas maiores de madeira — são os mais pedidos. A bióloga produz as peças em horário comercial para aproveitar melhor a luz do dia e perceber as cores com mais precisão.
A rotina ajuda a manter o ritmo de trabalho mesmo nos dias em que a inspiração não aparece. Bióloga transforma paixão pela natureza em arte inspirada na biodiversidade Maíra Gonzales Mezzacappa Nova técnica surgiu de uma brincadeira Maíra começou a acrescentar ao trabalho a técnica de cerâmica fria, interesse que surgiu devido à versatilidade do material. O desejo ganhou força quando a sobrinha de 9 anos convidou a artista para brincar com massinha.
"Resolvi modelar uma mini-corruíra e deixei a peça para secar. Ao final, gostei do resultado, pintei com as cores da espécie e coloquei dentro de um potinho de vidro para proteger. Ao compartilhar esse processo no Instagram, recebi muitas mensagens positivas e decidi diversificar mais um pouco minha arte, fazendo outras miniaturas de aves", revela Maíra.
O olhar que une ciência e sensibilidade: bióloga transforma aves em obras de arte Maíra Gonzales Mezzacappa A rede social é o principal canal de divulgação do trabalho. Há três anos, a bióloga também participa da feira de arte naturalista realizada durante o Avistar, apontado no texto como o maior encontro de observadores de aves, ecoturismo e conservação ambiental da América Latina. O evento tornou-se uma vitrine para que a artista exponha o trabalho a milhares de pessoas.
Biodiversidade como inspiração As aves, a natureza e a biodiversidade servem de inspiração para Maíra. Ao buscar fotografias que serão usadas como referência para uma pintura, por exemplo, ela se pega contemplando cores, movimentos e comportamentos. Mais do que inspiração para as pinturas, esse encantamento lhe traz paz de espírito e reforça a consciência sobre a importância de preservar a natureza, da qual todos fazem parte.
Da aquarela de terra às aves em miniatura: bióloga faz da natureza sua inspiração Maíra Gonzales Mezzacappa Para quem imagina que trabalhar com arte envolve apenas prazer, Maíra explica que o processo também tem momentos difíceis. Segundo ela, quase todo artista que conhece passa por fases em que a criação parece dar errado. A pintura aparenta estar estranha, as cores parecem erradas e surgem frustrações que podem levar à vontade de desistir.
Para a bióloga, é justamente nesses momentos que se torna importante manter o foco e confiar na própria capacidade. "Quando vejo uma obra pronta, sinto orgulho por não ter cedido a esse momento de insegurança, e satisfação por ter conseguido atingir o resultado que eu esperava. Sou muito perfeccionista, então muitas vezes, assim que finalizo uma arte, já penso que poderia ter feito melhor, enxergo pequenos defeitos...
Mas uso isso como combustível para tentar melhorar minha técnica na próxima arte. Recebo com gratidão quando elogiam meu trabalho dizendo coisas como “que dom maravilhoso”, mas, sem técnica e persistência, eu jamais teria chegado onde estou hoje", conclui Maíra Gonzales Mezzacappa. VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente
