Colisão entre carro e motocicletas deixa três mortos na BR-364 O advogado João Victor Casas Lopes, suspeito de atropelar e matar três pessoas e deixar outra ferida na BR-364, entre Tarauacá e Feijó, interior do Acre, foi indiciado por homicídio e lesão corporal na modalidade de dolo eventual, quando se assume o risco de cometer o crime. 👉 Os amigos Nahyure Antonieta Gomes de Oliveira, de 21 anos, e Antônio Carlos Parente da Silva, de 25, voltavam de moto para Feijó após participarem do rodeio na ExpoTarauacá.

Já Verony da Costa Viana Silva, de 46 anos, e o esposo, Ocelio José Sousa da Silva, de 49, único sobrevivente, seguiam em outra moto quando foram atropelados na madrugada de 30 de agosto. Lopes é apontado como o motorista que causou o atropelamento. 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp Conforme o delegado José Ronério, o indiciamento foi emitido nessa terça-feira (6).

Além disso, o delegado apontou João Victor como responsável por concurso formal impróprio, que acontece quando são praticados dois ou mais crimes em uma única ação. Um vídeo mostra João Victor Casas Lopes bebendo na ExpoTarauacá horas antes do acidente Reprodução/Instagram O g1 entrou em contato com o escritório no qual o advogado é um dos associados, e, até a última atualização desta reportagem, não obteve resposta. João Victor chegou a ser preso em flagrante mas foi solto após pagar fiança de mais de R$ 16 mil.

LEIA MAIS: Colisão entre carro e motocicletas deixa três mortos na BR-364, no interior do Acre O que se sabe sobre acidente que matou três pessoas em saída de festa no Acre VÍDEO mostra preso por colisão que deixou 3 mortos bebendo em feira agropecuária no Acre Elikéssia Viana, filha de Verony e Ocelio, o pai segue em recuperação. Ocelio teve seis costelas fraturadas, uma lesão no fígado e uma mancha no pulmão que ainda não desapareceu completamente.

Desde então, ele se recupera em casa mas ainda com dores e dificuldades para dormir. Após o indiciamento, Elikéssia espera que o advogado suspeito de causar as mortes seja punido. "O que eu tenho para falar é que a justiça seja feita, né?

Até porque temos que pagar por nossos erros. Minha mãe se foi e nada cura essa dor. Foram três vidas que esse irresponsável tirou", criticou.

Após o indiciamento, o caso é enviado ao Ministério Público do Acre (MP-AC), que ainda deve avaliar as provas colhidas para poder apresentar a denúncia à Justiça contra o advogado. À época, a Polícia Civil também confirmou que o advogado havia consumido bebida alcoólica. Imagens publicadas em uma rede social também mostravam João Victor bebendo durante a ExpoTarauacá, enquanto participava de atividades na feira e horas antes de conduzir o veículo responsável pelo atropelamento das quatro vítimas.

'Aprendendo a viver com a dor' Na última quinta-feira (1º), quando o acidente completou um mês e o inquérito sobre o caso ainda não tinha sido concluído, familiares das vítimas pediram celeridade nas investigações. Confira o que disseram à reportagem, o irmão de Nahyure Antonieta e a prima de Antônio Carlos Parente da Silva.

Conforme Nahylton Antônio Braga de Oliveira Júnior, irmão da estudante Nahyure Antonieta, de 21 anos, a jovem era a única irmã mulher entre cinco irmãos, além disso, ele também relatou o sofrimento da família a espera de uma rsponsabilização. "Faz um mês que perdemos minha irmã, um amigo e, junto com eles, mais duas famílias também foram destruídas pela dor. Enquanto choramos, tentamos aprender a viver com essa dor e quem causou tudo isso está em casa, seguindo sua vida", declarou à época.

Ainda segundo Nahylton, os familiares não buscam vingança, mas uma resposta das autoridades. Nahyure (terceira à esquerda) com os irmãos e os pais em uma confraternização; ela era filha única Arquivo pessoal "Queremos justiça. Queremos que nossos familiares não sejam esquecidos e que suas vidas tenham o valor que sempre tiveram.

Cadê a justiça? Até quando vamos esperar por respostas?", indagou. Já uma prima de Antônio Carlos Parente da Silva, de 25 anos, que preferiu não ser identificada, também cobrou que a investigação esclareça as circunstâncias da colisão e que eventuais responsabilidades sejam apuradas sem privilégios, devido ao suspeito ser advogado.

"Espero que sejam comprovadas as responsabilidades e que não haja privilégios. Se for confirmado que ele bebeu bebida alcoólica e mesmo assim assumiu a direção de um carro, isso precisa ser levado em consideração pois foram três famílias destruídas", disse. Ela também destacou que a condição profissional ou social do investigado não deve interferir na apuração.

"Não importa se ele é advogado, se ocupa um cargo importante ou a condição social dele. A lei precisa valer para todos. Que ele responda pelas três vidas que ele tirou", completou.

Nahyure Antonieta, Antônio Carlos e Verony Viana eram conhecidos e estavam em duas motocicletas quando foram atropelados Arquivo pessoal Reveja os telejornais do Acre ​