PIX, blindagem e sistemas de inteligência: como policiais suspeitos estruturaram desvio de Nove policiais civis que atuavam no combate aos crimes de fronteira são alvos da segunda fase de uma operação que, em setembro, levou à prisão do delegado Hoffman D'Ávila e ao afastamento de outros sete policiais em Mato Grosso do Sul.
Deflagrada nesta quinta-feira (5), a Operação Infiltrados II investiga um esquema em que agentes teriam usado a estrutura da própria polícia para desviar cocaína apreendida e abastecer o tráfico de drogas.
Infiltrados: delegado e outros 7 policiais são afastados após prisões em operação que investiga desvio de cocaína em MS 'Delegado de elite' que combatia tráfico é preso suspeito de desviar cocaína usando cargo em MS Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), em uma única ação, mais de 500 quilos de cocaína que deveriam ser incinerados teriam sido desviados pelos investigados.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp A nova fase é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e prevê o cumprimento de quatro mandados de prisão preventiva e 11 de busca e apreensão em Dourados, Ponta Porã e Nova Andradina, em Mato Grosso do Sul, além de Santa Terezinha de Itaipu, no Paraná.
Os nove policiais estavam lotados na Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron), unidade responsável pelo combate aos crimes na região de fronteira, na época dos fatos investigados, entre junho de 2025 e maio de 2026. Na primeira fase da operação, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) afirmou que não compactua com desvios de conduta de seus servidores e que eventuais irregularidades seriam apuradas com rigor, respeitando o devido processo legal.
Procurada pelo g1 sobre a segunda fase, deflagrada nesta quinta-feira (5), a secretaria ainda não havia se manifestado até a última atualização desta reportagem. Segundo o MPMS, os agentes são suspeitos de desviar drogas de três formas: durante as próprias apreensões, diretamente do depósito da delegacia ou no transporte dos entorpecentes para incineração. Depois, a droga era entregue a traficantes, responsáveis por colocá-la novamente no mercado ilegal.
Um dos episódios investigados ocorreu em setembro de 2025, quando mais de 500 quilos de cocaína que seriam destruídos teriam sido desviados. A operação conta com apoio da Corregedoria da Polícia Civil, do Batalhão de Choque da Polícia Militar e do Gaeco do Paraná.
Policiais investigados pelo Gaeco Reprodução/Redes sociais Primeira fase prendeu delegado A primeira fase da Operação Infiltrados foi deflagrada em 24 de setembro e levou à prisão do delegado Hoffman D'Ávila Cândido e Sousa, além de outros investigados suspeitos de participar do esquema de desvio de drogas apreendidas. Na ocasião, foram expedidos 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos.
Após a operação, a Polícia Civil afastou oito agentes, incluindo o delegado Hoffman D'Ávila. A medida também determinou o recolhimento de armas e carteiras funcionais, além da suspensão do acesso aos sistemas da corporação. A investigação começou em outubro de 2025, a partir de informações obtidas durante as operações Traquetos e Blindspot, também conduzidas pelo Gaeco.
Segundo o Ministério Público, policiais são suspeitos de aproveitar o acesso às drogas apreendidas para desviá-las e repassá-las a integrantes de uma organização criminosa. A segunda fase aprofunda a investigação sobre a participação de agentes que atuavam na Defron. Presos também pela Polícia Federal O delegado Hoffman D'Ávila e o investigador Douglas Tobias, presos na primeira fase da Operação Infiltrados, também foram alvos da Operação Ifrit, deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (4).
A ação investiga um esquema internacional de tráfico de drogas e armas, com participação de policiais e ligação com facções criminosas. Segundo a PF, Hoffman teria facilitado o desvio de cocaína apreendida, enquanto Douglas é suspeito de prestar apoio ao grupo criminoso. As defesas dos dois informaram que ainda não tiveram acesso integral às investigações.
A de Hoffman disse que vai analisar as medidas judiciais cabíveis, enquanto a de Douglas afirmou que o policial está à disposição para prestar esclarecimentos. Veja as notas das defesas na íntegra ao final da reportagem. O que diz a Sejusp Na primeira fase da operação, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) afirmou que não compactua com desvios de conduta de seus servidores e que eventuais irregularidades seriam apuradas com rigor, respeitando o devido processo legal.
Procurada pelo g1 sobre a segunda fase, deflagrada nesta quinta-feira (5), a secretaria ainda não havia se manifestado até a última atualização desta reportagem. Veja abaixo a nota divulgada na primeira fase, na íntegra.
"A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informa que a Operação “Infiltrados”, deflagrada nesta quinta-feira (24) pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) juntamente com as Corregedorias da Polícia Civil e da Polícia Militar visa o cumprimento de mandados de busca e apreensão e prisão de investigados por tráfico de drogas e outros crimes.
A operação envolve servidores das forças de segurança pública que já eram investigados pelas respectivas Corregedorias, sendo que três deles já haviam sido presos anteriormente e um inclusive exonerado recentemente. A Sejusp e as forças de segurança de Mato Grosso do Sul não compactuam com qualquer desvio de conduta ou prática ilícita por parte de seus integrantes. Eventuais desvios serão apurados com rigor, observando a legislação vigente, o devido processo legal e as garantias individuais dos investigados.
A Secretaria reafirma seu compromisso com a legalidade, a máxima transparência e o fortalecimento dos mecanismos de controle e correição das instituições que a integram." O que dizem as defesas Defesa de Hoffman D'Ávila “A Defesa Técnica do Delegado de Polícia Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa informa que tomou conhecimento do cumprimento de novo mandado de prisão preventiva e de medidas de busca e apreensão no âmbito da denominada Operação Ifrit.
Até o presente momento, a Defesa ainda não teve acesso integral aos autos, à decisão que fundamentou a nova custódia nem aos elementos probatórios que embasaram as medidas. Diante disso, qualquer manifestação sobre o mérito seria prematura.
Assim que houver acesso completo ao procedimento, a Defesa realizará a análise técnica do caso e adotará todas as medidas processuais cabíveis, assegurando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa.” Defesa de Douglas Tobias A defesa, representada pelo advogado Luiz Renê, informou que acompanhou o cumprimento do mandado de busca e apreensão da Polícia Federal, mas ainda não teve acesso à decisão judicial nem ao conteúdo do inquérito.
“De todo modo, Douglas Tobias mais uma vez demonstrou se tratar de pessoa idônea, profissional exemplar e nada tem a esconder, estando à disposição para prestar esclarecimentos e esperando que se faça justiça”, declarou. Mandados são cumpridos na manhã desta quinta-feira (24). Fabio Rodrigues Veja mais vídeos de Mato Grosso do Sul:
