Estudante do interior de SP é escolhida para representar pesquisa acadêmica na Holanda Ao realizar uma pesquisa acadêmica, os estudantes têm a oportunidade de explorar temas relevantes e encontrar soluções para os desafios reais enfrentados pela sociedade. A experiência teórica e prática complementa a formação, agregando os conhecimentos da área estudada para as futuras trajetórias profissionais.
É por meio de um projeto universitário que os estudantes da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP), em Piracicaba (SP), encontraram maneiras de fortalecer a segurança alimentar. Entre eles, estão dois alunos de Piraju (SP). 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp Luísa Cruz de Carvalho, de 21 anos, é estudante de ciências biológicas e Bruno Cruz Garbelotti, de 20 anos, é estudante de engenharia agronômica.
Os dois integram o projeto “Kindred Ora”, que propõe uma solução para a segurança alimentar por meio do cultivo sustentável da planta nativa ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata). De acordo com a USP, o objetivo do estudo é gerar uma farinha altamente nutritiva, de baixo custo e ambientalmente sustentável, ao mesmo tempo em que promove biodiversidade, reduz impactos do monocultivo e amplia o acesso da população a alimentos saudáveis e culturalmente relevantes.
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Antes de virar esponja de banho, bucha vegetal pode ser consumida igual abobrinha; conheça plantação no interior de SP 🌿Cultivo, colheita e farinha Além Luísa e Bruno, fazem parte do grupo os estudantes Fernanda Ribas Oliveira de Araújo, Natalia Soares dos Santos e Tharija Lauana Borges da Silva. Ao g1, Luísa relatou que teve contato com a ora-pro-nóbis durante o estágio. Aos poucos, ela desenvolveu interesse pela planta e começou a pesquisar artigos científicos.
Foi nesse processo que ela verificou o percentual de fibras. “Faz um ano que estamos cuidando dessas plantas. Ela tem um número absurdo de proteína, são 20 gramas de proteína a cada 100 gramas.
É muito parecido com o que a gente acha em algumas carnes, mas tem alguns fatores que atrapalham a absorção dela no corpo." Para contornar essa dificuldade de absorção, os estudantes decidiram testar um processo: primeiro, hidratar a planta e, depois, transformá-la em farinha. O produto pode substituir a farinha branca e também ser usado em sucos e saladas. Mas o caminho até chegar ao resultado não foi tão simples.
Na primeira etapa, os jovens ficaram responsáveis pelo cultivo da ora-pro-nóbis, plantada em vasos com substrato de fibra de coco enriquecido com biochar. Cinco estudantes da ESALQ são responsáveis por desenvolver pesquisa acadêmica sobre ora-pro-nóbis Luísa Cruz de Carvalho/Arquivo pessoal Na etapa seguinte, o grupo precisou encontrar uma forma de secar as folhas para transformá-las em farinha.
Como os equipamentos industriais e de laboratório são relativamente caros, os cinco estudantes construíram a própria secadora. “Porque tem os secadores industriais e os secadores de laboratórios. Só que os equipamentos são bem caros e tem que ser feito de uma forma segura.
Não dá para só colocar as folhas no sol e deixar lá. Então a gente colocou um secador com energia solar. Ele é uma estufa bem pequena”, contou a jovem.
O equipamento tem um metro por 80 centímetros, conta com um exaustor e utiliza o calor do sol. Nos testes, os estudantes identificaram que 45°C é a temperatura adequada para secar as folhas sem degradar as proteínas da planta. Estudantes desenvolveram uma farinha nutritiva a partir da secagem das folhas da planta Luísa Cruz de Carvalho/Arquivo pessoal A última etapa foi a produção da farinha.
Ao todo, o grupo cultivou dez mudas de ora-pro-nóbis e teve sete meses para organizar o projeto, colocar os conhecimentos teóricos em prática e chegar ao produto final. A proposta é que a farinha seja disponibilizada a pessoas em situação de insegurança alimentar e vulnerabilidade social. “Está sendo muito legal.
A gente se sente muito confortável no âmbito da pesquisa, porque é o que ensinam para a gente e é o que aprendemos. Eles colocam a gente para fazer algo que envolve mercado e trabalhar, e é algo que nos faz evoluir muito rapidamente”, disse Luísa. “Esse desafio trouxe uma experiência de trabalho.
De coordenar algo que vai ser possível e que vai para o mundo real. Não é só um trabalho de alguma matéria. Está sendo maravilhoso, realmente se tornou algo importante”, completou.
Logo depois do plantio, para conseguir chegar até a farinha, os estudantes precisaram realizar a secagem das folhas Luísa Cruz de Carvalho/Arquivo pessoal 📖 Competição na Holanda A pesquisa surgiu a partir da oportunidade de participar de um desafio internacional de inovação promovido por uma universidade de Wageningen, na Holanda. Após passar por uma avaliação interna da USP, o projeto foi validado e aprovado, garantindo a participação do grupo na competição.
Luísa diz que, dos cinco estudantes, ela foi a escolhida para representar o grupo em terras holandesas. “Eu estou muito animada e um pouco nervosa de ter que apresentar o projeto, ainda mais em inglês. Estou estudando muito e me preparando desde o começo.
É mais animação do que nervosismo”, comentou. A farinha da PANC é nutritiva, de baixo custo e ambientalmente sustentável, diz a USP Luísa Cruz de Carvalho/Arquivo pessoal Conforme a ESALQ, ao longo do desafio, os participantes recebem apoio, orientação e conteúdos formativos para desenvolver projetos viáveis e sustentáveis, com potencial de gerar impacto positivo nas comunidades. Após meses de desenvolvimento, a competição será encerrada com uma final marcada para 29 de setembro deste ano.
Segundo a universidade, o grupo será o único representante da USP na competição. A iniciativa também busca aproximar os estudantes da prática, além de desenvolver competências relacionadas à segurança alimentar e à sustentabilidade. Luísa está na expectativa de ser que o grupo saia vencedor.
“A gente tem um pouco de esperança. É uma coisa que impulsiona a gente a querer continuar. A pesquisa acadêmica normal, para nós que estamos na área da ciência, já é uma coisa que nos toca, que incentiva a gente com curiosidade e que dá vontade de continuar.
Uma pesquisa voltada para o viés social é um incentivo maior para nós." Ao todo, segundo a estudante, foram plantadas dez mudas de ora-pro-nóbis durante a pesquisa Luísa Cruz de Carvalho/Arquivo pessoal 🪴Ora-pro-nóbis A ora-pro-nóbis é um cacto nativo do Brasil, de fácil cultivo e resistente a altas temperaturas. As folhas da planta são ricas em nutrientes: a cada 100 gramas, concentram cerca de 20 gramas de proteína e 50 gramas de fibras.
A estudante apontou que estudos sugerem ainda a presença significativa de ferro e vitamina C na planta. Ela também é considerada uma Planta Alimentícia Não Convencionais (PANC), presente na alimentação e cultura brasileira há anos, principalmente em Minas Gerais. Ora-pro-nóbis, uma planta alimentícia não convencional (PANC) Guilherme Maragno/Embrapa O nome da planta vem do latim e significa "ora por nós".
Ao g1, a pirajuense reforçou que a espécie é comum em quintais e pode ser encontrada com frequência entre agricultores familiares e produtores rurais. “Há histórias populares de que o nome dela se deve a uma planta típica dos fundos de igrejas mineiras no período colonial. Quando os sacerdotes diziam a frase em latim ‘ora pro nobis’, os responsáveis por preparar a refeição depois da missa sabiam que era hora de sair e começar o preparo, incluindo as folhas da planta”, concluiu a jovem.
Ora-pro-nóbis tem propriedades nutricionais, medicinais e ornamentais Esteban / iNaturalist *Colaborou sob a supervisão de Larissa Pandori Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM
