Vítima mais recente pagou mais de R$14 mil por um procedimento Polícia Civil/Divulgação Uma mulher identificada como Stefani Viana Barbosa foi presa preventivamente nesta quarta-feira (28), no bairro do Paraíso, em Santana. Segundo a Polícia Civil, ela é investigada por realizar cirurgias plásticas e procedimentos estéticos invasivos sem possuir formação na área da saúde ou registro profissional em conselho de classe. De acordo com as investigações, a clínica funcionava no mesmo imóvel onde a suspeita morava.

O estabelecimento não possuía alvará de funcionamento da prefeitura nem licença da Vigilância Sanitária. Em um dos casos investigados, uma paciente chegou a ser cobrada em mais de R$ 14 mil por um procedimento estético que, resultou em deformidade facial permanente (entenda mais sobre o caso abaixo). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 AP no WhatsApp "Meu rosto inchou muito.

Fiquei igual ao Fofão, totalmente inchada. Cheguei a me despedir de mim mesma, porque pensei que iria morrer. Tomei as medicações mais fortes no hospital e não melhorava", relembrou a servidora pública, Elisângela Matos.

Polícia prende falsa médica de clínica de estética no Amapá Segundo a Polícia Civil, a prática irregular ocorria há anos. A investigada responde a pelo menos cinco inquéritos policiais, e o mais recente motivou o pedido de prisão preventiva. Entre os crimes investigados estão tentativa de homicídio, lesão corporal grave com deformidade permanente, exercício ilegal da medicina e estelionato.

A polícia informou ainda que Stefani possui uma condenação definitiva de 5 anos, 7 meses e 2 dias de prisão em regime semiaberto por crimes semelhantes. Segundo o delegado Anderson Ramos, responsável pelas investigações, há diversos casos relacionados à suspeita e o trabalho policial continuará para identificar possíveis novas vítimas. "Começamos a levantar os antecedentes criminais dela e verificamos que ela já respondia a três inquéritos relacionados a essas questões estéticas.

Verificamos que não se tratava de um caso isolado. [...] Verificamos que uma das vítimas ficou com uma lesão corporal de natureza gravíssima, que provocou danos permanentes", disse o delegado. As investigações também apontaram que o estabelecimento estava autorizado apenas para atividades de embelezamento estético, sem permissão para a realização de procedimentos cirúrgicos.

O g1 procurou a defesa de Stefani, mas até a última atualização desta matéria não teve retorno. LEIA MAIS: Polícia encontra maconha escondida em geladeira e prende suspeito de 19 anos em Macapá Após fumaça tóxica atingir casas, Oiapoque estuda novo terreno para transferir lixão Busca e apreensão Durante o cumprimento do mandado de busca, os policiais constataram condições insalubres na clínica.

Foram encontradas baratas em áreas de atendimento e medicamentos armazenados junto a produtos utilizados para controle de insetos. Equipamentos ficavam próximos de veneno para inseto Polícia Civil/Divulgação Também foram apreendidos instrumentos cirúrgicos, toxina botulínica, canetas emagrecedoras sem registro na Anvisa, hormônios, insulina, somatropina (GH), produtos para preenchimento estético e outros medicamentos de uso controlado.

"O dia de hoje será dedicado à contabilização dos materiais apreendidos, pois foram encontrados diversos equipamentos e esteroides anabolizantes que dependem de prescrição médica. Como ela não era médica, não poderia estar de posse desse material. Muitos medicamentos ainda serão contabilizados.

[...] Esse material estava armazenado dentro do quarto dela, sem qualquer estrutura adequada para esse tipo de armazenamento", explicou o delegado. Equipamentos apreendidos na clínica da falsa médica Polícia Civil/Divulgação Vítimas pagavam até R$ 14 mil Segundo a investigação, a suspeita utilizava as redes sociais para divulgar a clínica e atrair clientes. As publicações apresentavam o espaço como referência em procedimentos estéticos e prometiam resultados satisfatórios.

No caso que motivou a prisão preventiva, uma paciente , uma paciente a ser cobrada a mais de R$ 14 mil por procedimentos de lipoenxertia e aplicação de fios de sustentação. Segundo a Polícia Civil, ela desenvolveu uma infecção bacteriana grave, com inflamação, abscessos e deformidade facial permanente.

🔍A lipoenxertia é um procedimento de cirurgia plástica que consiste na retirada de gordura de uma parte do corpo do paciente para aplicação em outra região, com o objetivo de preencher áreas, aumentar volume ou melhorar contornos corporais e faciais. A vítima, que é servidora pública, contou que já havia realizado procedimentos no local antes da pandemia de Covid-19. Anos depois, decidiu retornar à clínica após ver os resultados obtidos por outras clientes e porque tinha uma viagem programada.

Segundo o relato, a investigada cobrou R$ 200 pela consulta e avaliação. A paciente afirmou que procurava um procedimento para arquear as pálpebras, mas recebeu a sugestão de realizar outros procedimentos estéticos. Pouco tempo após os procedimentos, a paciente apresentou fortes reações e precisou de atendimento médico de urgência.

A vítima relatou ainda que recebeu orientações da falsa médica para utilizar medicamentos e realizar exames na tentativa de controlar a infecção, mas o quadro de saúde continuou se agravando. Elisângela precisou ser internada em hospitais de Macapá e Belém. Ao todo, ela permaneceu 28 dias hospitalizada.

Em alguns períodos, só conseguiu se alimentar com alimentos pastosos e, segundo o relato, ainda utiliza medicamentos anti-inflamatórios em decorrência das complicações. "Meu rosto não tinha nenhuma cicatriz. Hoje, ele está deformado.

Eu não me reconheço mais, porque me culpo muito por ter ido lá e feito esse procedimento. Tenho muita dificuldade de aceitar e me perdoar por essa decisão. Eu não imaginava que isso pudesse acontecer.

Achei que era um lugar seguro", lamentou. Paciente ficou internada em estado grave Lenan Santos/Rede Amazônica Stefani deverá responder por lesão corporal gravíssima, exercício ilegal da medicina com finalidade lucrativa, estelionato, crime contra as relações de consumo e infrações relacionadas ao uso e comercialização irregular de medicamentos. Após passar por exame de corpo de delito, ela foi encaminhada ao sistema prisional.

Stefani atuava como falsa médica Reprodução Veja o plantão de últimas notícias do g1 Amapá ​