André Mendonça, ministro do STF Gustavo Moreno/STF O ministro do STF André Mendonça citou o livro "1984", de George Orwell, para falar da atual crise na Corte. Mendonça emitiu decisão nesta terça-feira (8) para afastar o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues.

"Diante do quadro ora apresentado, que mais se assemelha ao cenário concebido por George Orwell em sua célebre distopia, intitulada “1984”, verifica-se, a mais não poder, que a produção dos “relatórios de inteligência” em questão, o fato de sobre eles ter sido dada ciência prévia ao Ministro Alexandre de Moraes e a posterior divulgação desses “documentos”, revelam fatos de extrema gravidade, com repercussões não apenas no plano institucional, mas também quanto à segurança e integridade pessoal de integrante deste Supremo Tribunal Federal, além de outras autoridades públicas", escreveu Mendonça na decisão.

Publicado em 1949, o livro de Orwell retrata uma sociedade em que o "Grande Irmão" vigia tudo o que as pessoas fazem e dizem e em que um "Ministério da Verdade" controla a difusão de notícias. O contexto da decisão de Mendonça é a disputa entre ele e ministro Alexandre de Moraes. Relator do Caso Master, Mendonça tirou na terça-feira da semana passada o sigilo de investigações da Polícia Federal que mostravam a proximidade entre Moraes e o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do Master.

Na decisão que determinou o afastamento de Andrei, Mendonça ordenou também a suspensão de qualquer produção ou compartilhamento de relatórios de inteligência da PF voltados a analisar a atuação funcional de ministros do STF. Agora no g1 O ministro determinou o afastamento preventivo também do diretor de Inteligência Policial da corporação, Leandro Almada da Costa.