O empresário Paulo Sirqueira Korek Farias, presidente da viação A2 Transportes e do Time Água Santa, e o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (União Brasil). Reprodução/TV Globo A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) vão apurar as suspeitas de um possível vazamento de informações sobre a Operação Vectura Corrupta, que investiga a ligação de membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) com o sistema de transportes da cidade de São Paulo.

A apuração foi aberta depois que investigadores estiveram em pelo menos dois endereços ligados ao ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (União Brasil), e encontraram apenas empregados nesses locais. Ele é suspeito de envolvimento no esquema criminoso. Outro procurado em vários endereços é o empresário Paulo Sirqueira Korek Farias, presidente da viação A2 Transportes e do time de futebol Água Santa, que também não foi encontrado nos endereços visitados pelos investigadores.

Foragidos na operação contra o PCC no transporte público de São Paulo. Reprodução/TV Globo Em coletiva de imprensa na tarde desta quinta-feira (17), o delegado Fabrício Intelizano – de Mogi das Cruzes – já havia confirmado a suspeita de vazamentos no âmbito da operação. “A gente vai apurar isso [vazamentos] no curso da investigação.

Mas a gente não pode afirmar de maneira categórica. Tanto que a maioria dos alvos foi encontrado. Se tivesse ocorrido de fato qualquer tipo de situação assim, o resultado da operação teria sido outro.

Mas isso a gente vai apurar ao longo da investigação e verificar se houve esse tipo de situação”, afirmou. O delegado lembrou que dez dos 16 alvos de prisão temporária da Operação Vectura Corrupta foram presos. Seis seguem foragidos.

Entre os presos estão Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, e Danilo Marco Morgado Silva, ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande e atual candidato a deputado estadual. A equipe de reportagem não localizou as defesas. PERFIL: Milton Leite se 'aposentou', mas deixou dinastia familiar e de aliados no Legislativo e segue influente na política de SP ENTENDA: Por que os ônibus são tão atrativos para o PCC em São Paulo?

INVESTIGAÇÃO: Quais são as suspeitas sobre Milton Leite na investigação que apura atuação do PCC no transporte da cidade de SP Milton Leite, presidente do Água Santa e mais 4 seguem foragidos Nesta quinta (17), Milton havia negado qualquer envolvimento com o PCC e disse que iria se entregar. Ele afirmou que estava em viagem de compromissos políticos e que a esposa estava viajando para o exterior; por isso, não havia sido encontrado em casa (veja mais aqui).

Porém, passadas mais de 24 horas da declaração, o presidente estadual do União Brasil não se entregou à polícia e está sendo procurado. Milton sempre negou as acusações e afirma que não tem relação com o PCC.

Milton Leite é alvo de operação contra infiltração do PCC no sistema de transporte de SP Buscas em Sorocaba e 'passagem secreta' Na manhã desta sexta-feira (18), a Polícia Civil e o Ministério Público (MP) encontraram uma espécie de "passagem secreta" entre dois imóveis ligados a Milton durante buscas em Sorocaba, no interior paulista, para tentar prender o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo.

De acordo com as autoridades, uma casa pertence a um assessor do ex-parlamentar e a outra residência seria do próprio Milton. O segundo imóvel estaria vazio. Diante do que os investigadores encontraram, eles suspeitam que o político possa ter estado em alguma das demais residências.

Para saber disso, a investigação vai analisar imagens de câmeras de monitoramento. No local das buscas havia dinheiro e documentos. A pessoa que estava no imóvel não soube explicar a origem deles.

Foram encontrados e apreendidos R$ 280 mil e US$ 89 mil (cerca de R$ 457 mil) dentro de malas. A polícia não sabe a origem dos valores e investiga se eles são de Milton. Polícia encontra dinheiro em imóveis ligados a Milton Leite.

Reprodução Segundo o Ministério Público, ao menos 12 das 22 empresas de transporte coletivo da capital seriam controladas direta ou indiretamente pela facção criminosa PCC. Essa é uma alegação da investigação, ainda sujeita à apuração judicial. O nome de Milton aparece em diálogos e outros elementos reunidos pela investigação.

A decisão também menciona depoimentos de policiais militares que o apontaram como "dono de fato" da Transwolff, empresa que já havia sido investigada na Operação Fim da Linha, em 2024. A Transwolff nega que o político tenha participação societária ou atuação na gestão da empresa. Milton também nega ser proprietário da Transwolff.

Milton Leite é considerado foragido da Justiça. Reprodução LEIA TAMBÉM: 12 das 22 empresas de ônibus que operam em São Paulo são suspeitas de ligação com o PCC; veja quais são elas Ex-presidente da SPTrans é preso em operação contra infiltração do PCC nas empresas de ônibus