Registro feito durante fiscalização do MPT MPT/Divulgação O Ministério Público do Trabalho (MPT) identificou 480 casos de Perda Auditiva Induzida por Ruído (Pair) entre trabalhadores de um frigorífico de abate de aves do Grupo MBRF, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. A fiscalização também constatou que 1.474 empregados atuavam em setores com níveis de ruído iguais ou superiores a 92 decibéis (dB).
Durante a fiscalização, foram encontradas ainda 16 trabalhadoras gestantes atuando em ambientes com elevados níveis de pressão sonora. A situação mais crítica foi identificada no setor de depenagem, onde os fiscais constataram exposição a 100 dB. ✅ Clique aqui e siga o perfil do g1 Triângulo no WhatsApp Segundo o MPT, o nível de ruído identificado apresenta potencial significativo de adoecimento e pode gerar impactos durante a gestação.
🔍 Para o ouvido humano, sons de até cerca de 70 dB geralmente são considerados seguros quando a exposição não é prolongada. A partir de 80–85 dB, principalmente com exposição frequente ou por várias horas, aumenta o risco de danos à audição. A operação foi realizada entre os dias 10 e 14 de agosto pelo Projeto Nacional de Adequação das Condições de Trabalho em Frigoríficos do MPT e diante das irregularidades encontradas, o MPT propôs um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) para a unidade.
Em nota o Grupo MBRF reafirmou seu compromisso com a legislação vigente e com a saúde e bem-estar de seus colaboradores, ;trabalhando na melhoria contínua de seus processos. Além disso, ressaltou que os pontos firmados no acordo já estão sendo colocados em prática. Acidentes de trabalho A força-tarefa também identificou 48.484 casos de subnotificação de acidentes de trabalho na unidade.
Segundo o MPT, foram encontradas situações em que acidentes chegaram a ser investigados pelo Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (Sesmt) do frigorífico. Essa questão foi discutida internamente pelo comitê da empresa, mas não houve a correspondente emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT). A fiscalização também encontrou trabalhadores submetidos a atividades realizadas em ritmo elevado e com alta repetitividade de movimentos.
De acordo com o MPT, essas condições podem aumentar o risco de desenvolvimento de doenças osteomusculares.
🔍 As doenças osteomusculares são condições que afetam ossos, músculos, tendões, ligamentos e articulações, causando dor e limitando os movimentos Leia mais: Mulher ficou dependente de remédio após venda sem receita 'Gangue da marcha à ré' arromba loja Professor é demitido após acumular mais de 120 faltas injustificadas O que diz o acordo O acordo firmado com o grupo MBRF prevê o afastamento das trabalhadoras gestantes de ambientes em que haja exposição a ruído igual ou superior a 80 dB.
Também ficou estabelecida a substituição dos protetores auriculares do tipo abafador utilizados nos setores com ruído igual ou superior a 92 dB por modelos que ofereçam maior proteção. O TAC prevê ainda a elaboração de um projeto de controle de ruído para todos os setores que ultrapassem o nível de ação de 80 dB, além de medidas para adequação de máquinas, equipamentos e instalações elétricas.
Para a procuradora do Trabalho Priscila Dibi Schvarcz, os resultados da fiscalização demonstram que é necessário priorizar medidas de controle do ruído diretamente na fonte.
“A identificação de centenas de trabalhadores com perda auditiva reconhecida, associada à existência de mais de mil empregados submetidos diariamente a níveis elevados de ruído, evidencia a necessidade de adoção de medidas que priorizem o controle do risco na própria fonte, e não apenas a utilização de equipamentos de proteção individual”, afirmou.
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