A crise dentro do Supremo Tribunal Federal (STF) pode respingar na imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) num momento em que a última pesquisa Quaest traz alertas para o candidato petista. Os números divulgados nesta quarta-feira (2) mostram que a distância entre Lula e o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, no cenário de segundo turno caiu de oito para um ponto no espaço de dois meses: agora está em 42% para o petista e 41% para o filho do ex-presidente Bolsonaro.
Quaest, 2º turno: Lula, 42%; Flávio Bolsonaro, 41% Aliados do presidente reconhecem que, pela proximidade entre Lula e o ministro Alexandre de Moraes, a campanha de Flávio Bolsonaro terá munição para associar a imagem dos dois.
LEIA TAMBÉM: Quaest, 1º turno: Lula, 37%; Flávio Bolsonaro, 29%; Cury, 10%; Renan, 3%; Caiado, 1%; Zema, 1% Por isso, assessores presidenciais passaram a defender que o Supremo Tribunal Federal retire também o sigilo das investigações sobre o financiamento do filme "Dark Horse", depois que o ministro André Mendonça decidiu tornar público o relatório da Polícia Federal (PF) sobre as conversas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes.
"As conversas entre Vorcaro e Moraes não atingem diretamente o presidente Lula, mas a proximidade dos dois é ruim neste momento e o eleitor médio tende a enxergar no governo um defensor de Alexandre de Moraes por causa da ação que investigou a trama golpista", diz um interlocutor de Lula, que defende uma fala do presidente pedindo que tudo seja esclarecido e nada deixe de ser investigado.
A avaliação da equipe de Lula é que, se for levantado o sigilo sobre as investigações do dinheiro que Vorcaro destinou para o filme sobre Bolsonaro, haverá material para se contrapor às revelações sobre Alexandre de Moraes e o banqueiro. No fundo, é uma admissão de que a crise envolvendo o ministro mais criticado pelo bolsonarismo respinga, sim, na imagem do petista. Lula durante evento no Palácio do Planalto.
Ricardo Stuckert/ Presidência da República Dentro da PF, investigadores são contra a retirada do sigilo porque isso poderia prejudicar operações que estariam sendo planejadas. Eles entendem que isso pode acabar levando alvos de uma operação a destruírem provas. O blog apurou que as investigações estão avançadas.
Por outro lado, a Polícia Federal planeja encerrar em setembro o primeiro inquérito do Banco Master, o que investiga as fraudes bancárias na venda de carteiras de crédito fraudulentas para o BRB, o banco público de Brasília. A intenção da PF era terminar esse primeiro inquérito em agosto, mas não foi possível por conta de alguns entraves das investigações.
