Operação mira monopólio do gás do Comando Vermelho A Polícia Civil do RJ e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) iniciaram, nesta quarta-feira (28), a Operação Dominus, contra uma organização criminosa ligada ao Comando Vermelho (CV) que explorava a venda de gás de cozinha em comunidades dominadas pela facção. Agentes saíram para cumprir 9 mandados de prisão e 44 de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de mais de R$ 350 milhões e o sequestro de bens vinculados aos investigados.

Até a última atualização desta reportagem, 4 pessoas haviam sido presas. Outras 4 foram pegas em flagrante. Os mandados são cumpridos em São Gonçalo, em Itaboraí, em Duque de Caxias, em Niterói e na capital, no Recreio dos Bandeirantes e na Taquara.

Entre os alvos das buscas estão residências e estabelecimentos comerciais, principalmente distribuidoras e revendedoras de gás apontadas como integrantes ou vinculadas à estrutura investigada.

✅Clique aqui para seguir o canal do g1 RJ no WhatsApp Policiais civis cumprem mandado na Operação Dominus Reprodução/TV Globo Como funcionava o esquema Segundo a Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD) e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ), a quadrilha usava o domínio armado do tráfico para controlar a venda de gás e impedir a livre concorrência.

Comerciantes eram obrigados a comprar produtos somente de fornecedores indicados pelo grupo ou a fazer pagamentos periódicos, sob ameaça de retaliação. Essas cobranças eram chamadas de “metas do gás” e serviam como outra forma de arrecadação para a organização. A investigação aponta ainda que tanto as taxas quanto a revenda obrigatória dos botijões encareciam o produto para os moradores.

Em algumas comunidades, o preço chegava a R$ 150. O inquérito apura os crimes de organização criminosa e extorsão relacionados à exploração da comercialização de gás liquefeito de petróleo (GLP). A investigação identificou uma estrutura com divisão de funções, que reunia operadores comerciais, responsáveis pela logística de distribuição, arrecadadores e integrantes ligados ao controle territorial exercido pelo Comando Vermelho.

Os investigadores também analisaram dados armazenados em mídias usadas por um dos principais investigados. De acordo com a polícia, as informações permitiram reconstruir parte do funcionamento do esquema e identificar comunicações entre responsáveis pela atividade comercial, arrecadadores e integrantes ligados ao tráfico.

Empresas de fachada e ‘laranjas’ A investigação também identificou indícios do uso de empresas de fachada e pessoas interpostas, os chamados “laranjas”, para movimentar recursos, ocultar patrimônio e dar aparência de legalidade aos valores. Segundo a apuração, empresas formalmente registradas em nome de terceiros, principalmente nos setores de distribuição de gás e construção civil, eram utilizadas para afastar o nome de um dos investigados da titularidade de empresas e bens.

Policiais civis cumprem mandado na Operação Dominus Reprodução/TV Globo