Rodrigo Bacellar é preso novamente pela Polícia Federal A mulher do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) Rodrigo Bacellar (União Brasil), a empresária Manoella Duarte, usou as redes sociais para reclamar das condições enfrentadas pelo marido na Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte. Deputado cassado, Bacellar está preso desde março, sob suspeita de vazar informações sigilosas para integrantes do Comando Vermelho.

Na publicação, Manoella afirma que visitou Bacellar na quinta-feira (10), após dois meses sem vê-lo, e diz que encontrou o marido com marcas de alergia pelo corpo e outros problemas de saúde. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Segundo ela, o ex-presidente da Alerj tinha marcas provocadas por algemas, estava com um dedo do pé inflamado e relatou dificuldades para dormir e tomar banho.

Rodrigo Bacellar e Manoella Duarte Reprodução Manoella afirma que Bacellar contou que toma banho com um caneco e que a cela não tem ventilador. Ainda segundo o relato, ele dorme com sabonete espalhado pelo corpo na tentativa de evitar picadas de mosquitos. "Venho aqui falar sobre dignidade.

A dignidade de uma pessoa não depende de sentença. Não depende de decisão alguma. Ela não se perde na porta de um presídio.

Eu vi Rodrigo com as marcas da algema no corpo. Ele me relatou que toma banho usando um caneco. Que não tem ventilador na cela.

Que dorme com sabonete no corpo para os mosquitos não se aproximarem", escrevei Manuela. A empresária diz ainda que, por causa das dores provocadas pela inflamação no dedo do pé, Bacellar chegou a colocar o pé dentro da comida quente na tentativa de aliviar o incômodo. De acordo com Manoella, apesar de haver atendimento médico na unidade prisional, existem restrições para a entrada de medicamentos prescritos pelos profissionais que acompanham Bacellar.

Ela afirma que as condições têm afetado a saúde física e psicológica do marido. A publicação também relata dificuldades para o banho de sol. Segundo Manoella, os horários seriam divididos entre grupos rivais dentro do sistema prisional, o que impediria Bacellar de usufruir do benefício nos mesmos períodos dos demais detentos.

Publicação feita pela mulher de Rodrigo Bacellar nas redes sociais Reprodução No texto, Manoella afirma que não pretende discutir o processo judicial nem as acusações contra o marido e diz confiar na atuação da Justiça. Ela argumenta, no entanto, que as condições de custódia devem preservar a dignidade e os direitos básicos dos presos. "Não peço privilégio.

Não peço tratamento diferenciado. Peço o mínimo: água, ventilador e atendimento médico adequado à situação dele", escreveu. A empresária ressalta ainda que Bacellar é preso provisório e não foi julgado nem condenado.

Ela pede que o marido seja tratado "como ser humano" e tenha acesso às condições básicas previstas para pessoas sob custódia do Estado. A reportagem procurou a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) para saber se tem conhecimento das denúncias, se houve alguma apuração sobre as condições relatadas e quais medidas foram adotadas em relação às queixas de saúde e atendimento médico mencionadas pela família.

A Senappen disse que todos os presos custodiados no Sistema Penitenciário Federal recebem a assistência prevista na Lei de Execução Penal e são atendidos de acordo com os protocolos adotados pelas unidades. Segundo a secretaria, todas as penitenciárias federais contam com Unidade Básica de Saúde (UBS), atendimento por telemedicina e equipes multiprofissionais formadas por médicos, farmacêuticos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e outros especialistas.

A Senappen afirmou ainda que não divulga informações individualizadas sobre estado de saúde, diagnósticos, tratamentos ou uso de medicamentos por pessoas privadas de liberdade. De acordo com o órgão, a medida segue o sigilo médico e a legislação de proteção de dados pessoais. Bacellar é réu vazamento de ação contra o CV Em agosto, a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, tornar réus Bacellar, o ex-deputado estadual TH Joias; e o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto.

Rodrigo Bacellar é levado para a sede da PF no Rio Reprodução/TV Globo A decisão também atinge Jéssica de Oliveira Santos, esposa de TH Joias, e Thárcio Nascimento Salgado, suspeito de lavar dinheiro do tráfico da favela de Senador Camará, na Zona Oeste do Rio. O voto do relator, Alexandre de Moraes, pelo recebimento da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) foi seguido por Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino.

Segundo a denúncia da PGR, o grupo teria atuado entre os dias 2 e 3 de setembro de 2025 para vazar informações sobre a Operação Zargun, permitindo que TH Joias, então deputado estadual e um dos principais alvos da ação, retirasse objetos de sua residência antes da chegada dos policiais. No voto, Moraes afirmou que os elementos reunidos durante a investigação indicam o delito de obstrução de investigação contra organização criminosa armada.

"Conforme evidenciado pela Procuradoria-Geral da República, há indícios de autoria e materialidade de que os denunciados Jéssica de Oliveira Santos, Macário Ramos Júdice Neto, Rodrigo da Silva Bacellar, Thárcio Nascimento Salgado e Thiego Raimundo de Oliveira Santos agiam em conluio para embaraçar as investigações que tramitavam no Tribunal Regional Federal da 2ª Região, com o objetivo de desarticular organização criminosa especializada no tráfico internacional de armas e drogas, corrupção de agentes públicos e lavagem de capitais", afirmou.

O ministro cita que Bacellar admitiu que conversou com Thiego Raimundo sobre a operação policial, no dia 2 de setembro 2025, na sede do poder Legislativo fluminense e que a PGR aponta que "esse contato ocorreu, portanto, logo após a interação da Polícia Federal com o gabinete do desembargador sobre a data designada para a deflagração".

Para Moraes, a denúncia evidenciou que os acusados agiram "em conluio, para repassar informações sigilosas de operação policial a ser deflagrada, com a finalidade de suprimir elementos probatórios, no intuito de embaraçar investigação de infração criminal envolvendo a organização criminosa denominada “Comando Vermelho".