Ariranhas 'espantam' onça-pintada durante encontro em rio no Pantanal de MT Um grupo de ariranhas reagiu à tentativa de ataque de uma onça-pintada e fez o felino sair do rio na região de Porto Jofre, em Poconé, no Pantanal mato-grossense. O vídeo foi gravado na quarta-feira (14) pelo guia de turismo e fotógrafo de vida selvagem Mateus Rauber, durante um passeio com turistas estrangeiros (assista acima). Nas imagens, a onça-pintada macho conhecido como Makala se aproxima do grupo.
Segundo Rauber, o felino avistou os animais enquanto subia o rio e deu a volta para persegui-los. As ariranhas, que desciam pelo curso d’água, ainda não haviam percebido sua presença. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MT no WhatsApp Onça-pintada é cercada por grupo de ariranhas durante encontro em rio de Porto Jofre, no Pantanal de MT.
Mateus Rauber De acordo com o guia, as ariranhas surpreenderam a onça ao reagir coletivamente. Antes do confronto, ele já havia alertado aos turistas sobre a dificuldade que o animal poderia enfrentar. “Ele deu a volta e foi atrás delas.
Mal sabia ele que as ariranhas são conhecidas como as [outras] onças da água e ele que estava no habitat delas. Foi uma surpresa enorme ver que ele teve a coragem de seguir em frente”, contou. 🦦🐾Vida em grupo favorece espécie Ao g1, a presidente do Projeto Ariranha, a bióloga Caroline Leuchtenberger, explicou que a vida em grupo é uma estratégia de defesa das ariranhas contra predadores, incluindo a onça-pintada.
“A onça-pintada é o principal predador natural das ariranhas e pode predar inclusive indivíduos adultos. Uma das grandes vantagens das ariranhas é justamente o fato de viverem em grupo, o que permite que elas se defendam melhor", disse. Quando percebem a aproximação de uma onça e têm condições de reagir, as ariranhas podem se organizar para tentar afastar o predador e defender o território.
No episódio registrado, a reação do grupo fez a onça Makala sair da água. O desfecho mostra que a defesa coletiva funcionou naquela situação, embora não garanta o mesmo resultado em todos os encontros. 🦦🛡️ Proteção dos filhotes é coletiva A cooperação entre as ariranhas vai além da defesa contra predadores.
Segundo Caroline, integrantes do grupo compartilham tarefas relacionadas ao cuidado com os filhotes, como proteção e alimentação, o que favorece o desenvolvimento dos animais nos primeiros meses de vida. “Os indivíduos se revezam em diferentes atividades, como cuidar, proteger e alimentar os filhotes. De maneira geral, grupos maiores tendem a ter mais sucesso na criação dos filhotes, justamente porque contam com mais indivíduos para compartilhar essas tarefas”, destacou.
A organização coletiva também ajuda a defender o território e a manter o acesso a recursos importantes para a sobrevivência e a reprodução da família. 🔊🚨 Vocalizações alertam sobre ameaças Segundo Caroline, a espécie emite cerca de 15 sons distintos, que variam conforme o contexto e ajudam na comunicação entre os integrantes do grupo. “Nesse episódio com a onça-pintada, por exemplo, elas emitiram vocalizações de alerta e alarme, que ajudaram a organizar o grupo para enfrentar aquela ameaça”, explicou.
Embora encontros entre onças-pintadas e ariranhas ocorram com certa frequência no Pantanal mato-grossense, para Caroline, esses registros de situações em que o grupo consegue afugentar o felino são raros. No encontro registrado em Porto Jofre, os sons também contribuíram para organizar a reação coletiva do grupo diante da aproximação da onça-pintada, que deixou a água após avançar contra os animais. *Sob supervisão de Jardes Johnson.
Grupo de ariranhas reage à presença da onça-pintada em rio no Pantanal mato-grossense. Mateus Rauber
