O influenciador Breno Café com Teu Pai fez provocações sobre a morte da vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018. Reprodução redes sociais Manifestações de grupos bolsonaristas e de esquerda terminaram em bate-boca e troca de ofensas em frente à PUC-Rio, na Gávea, Zona Sul do Rio, nesta terça-feira (13). O ato ocorreu um dia após a universidade anunciar que não autorizaria eventos político-partidários em suas dependências até o fim das eleições.

Durante a mobilização, o influenciador Breno Faria, conhecido como 'Café com Teu Pai', fez provocações sobre a vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018. O influenciador, que foi candidato a deputado federal pelo PL nas eleições de 2026, debochou da morte de Marielle do alto de um carro de som, ao lado dos vereadores Rogério Amorim (PL) e Rafael Satiê (PL), enquanto manifestantes de esquerda cantavam “Marielle, presente”. Em um dos trechos, Breno afirmou que Marielle poderia estar “no colo do capeta”.

Em seguida, fez uma provocação sobre a ausência paterna (veja no vídeo abaixo). Manifestações de grupos opostos têm bate-boca e ofensas em frente à PUC-Rio A fala foi registrada em vídeo durante o encontro entre manifestantes favoráveis ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e apoiadores do senador Flávio Bolsonaro (PL), que disputam o segundo turno da eleição presidencial. Os grupos se concentraram nas proximidades do acesso à universidade pela Rua Padre Leonel Franca.

De um lado, apoiadores do campo bolsonarista estavam reunidos em um carro de som. Do outro, manifestantes de esquerda ocupavam a área próxima à entrada, com gritos de ordem e provocações dos dois lados. A mobilização ocorreu um dia após a PUC-Rio anunciar que não autorizaria eventos de natureza político-partidária em suas dependências até o fim do período eleitoral.

A universidade justificou a decisão como uma medida preventiva para preservar a segurança e a convivência pacífica na comunidade acadêmica. manifestações de grupos opostos têm bate-boca e troca de ofensas em frente à PUC-Rio Reprodução redes sociais Provocação foi resposta ao grito: 'Marielle, presente' Em um dos vídeos que circulam nas redes sociais, Breno Café com Teu Pai aparece no carro de som ao lado dos vereadores Rogério Amorim e Rafael Satiê, ambos do PL.

Enquanto manifestantes de esquerda entoavam o grito “Marielle, presente”, o influenciador fez referência à morte da ex-vereadora e à possibilidade de ela estar no céu ou no inferno. “Marielle ta no céu, com Papai do Céu, não adianta. Ou não, né.

Ou ta no colo do capeta. Marielle ta igual o pai de vocês: 'o pai, ausente. O pai, ausente.

O pai, ausente”, disse Breno, enquanto ria da situação. Marielle Franco foi vereadora do Rio de Janeiro pelo PSOL e foi assassinada em 14 de março de 2018, junto com o motorista Anderson Gomes. Ela era formada em Ciências Sociais pela própria PUC-Rio.

Breno disputou uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PL nas eleições de 2026. Ele recebeu 27.088 votos e ficou como suplente. Rafael Satiê, que também estava no carro de som, foi eleito deputado federal pelo PL, com 91.074 votos.

Rogério Amorim recebeu 35.810 votos na disputa por uma vaga de deputado estadual e ficou como suplente. Breno Café com Teu Pai estava ao lado dos vereadores Rogério Amorim e Rafael Satiê, todos do PL, Reprodução redes sociais Irmão de Rogério Amorim quebrou placa em 2018 A presença de Rogério Amorim ao lado de Breno durante a declaração ocorre em meio a um histórico de episódios públicos envolvendo o nome de Marielle e integrantes da família do vereador.

Rogério é irmão do deputado estadual Rodrigo Amorim (União Brasil), que ganhou notoriedade durante a campanha eleitoral de 2018 ao participar da quebra de uma placa com o nome de Marielle Franco, meses após o assassinato da vereadora. Na ocasião, Rodrigo Amorim, então candidato a deputado estadual, apareceu ao lado do ex-deputado federal Daniel Silveira (PL) exibindo uma placa quebrada que reproduzia uma homenagem à vereadora.

Imagem de candidatos com placa em homenagem a Marielle Franco quebrada G1 O episódio teve repercussão nacional. Naquele ano, Rodrigo foi eleito deputado estadual com cerca de 140 mil votos, sendo o candidato mais votado para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

PUC-Rio proibiu eventos político-partidários Na segunda-feira (12), a Vice-Reitoria Comunitária da PUC-Rio divulgou um comunicado anunciando que não autorizaria a realização de eventos de natureza político-partidária em suas dependências até o fim do período eleitoral. A universidade justificou a medida pela necessidade de zelar pela segurança e pela integridade física e moral de estudantes, professores, funcionários e demais integrantes da comunidade universitária.

No comunicado, a instituição afirmou que a decisão era uma medida “preventiva e excepcional”, motivada pelo cenário político e social do período eleitoral. A PUC-Rio também reafirmou seu compromisso com o diálogo, o respeito às diferenças e a promoção de um ambiente seguro e plural. A decisão foi anunciada antes das manifestações desta terça-feira, convocadas por grupos com posições políticas opostas.

Atos reuniram apoiadores de Lula e Flávio Bolsonaro A manifestação desta terça-feira ocorreu após convocações de grupos ligados ao bolsonarismo e à esquerda nas redes sociais. O movimento “A PUC também é nossa”, criado pela autodenominada Liga da Juventude Livre, convocou estudantes para defender maior espaço para diferentes posições políticas na universidade, segundo nota publicada pelo movimento.

Já o grupo PUC Antifascista também havia convocado estudantes para uma atividade das 9h às 13h, nos Pilotis do Kennedy, dentro da universidade. A proposta divulgada nas redes sociais era realizar um encontro de leitura, estudo e desenho livre, com orientação para que os participantes vestissem vermelho. O encontro entre os grupos ocorreu em meio à polarização da disputa presidencial de 2026, cujo segundo turno será disputado por Lula e Flávio Bolsonaro.

A mobilização na PUC-Rio foi marcada por gritos de ordem e provocações entre os dois lados. O que dizem os citados A reportagem procurou Breno Café com Teu Pai, mas até a última atualização da reportagem não teve resposta. Em nota, o Instituto Marielle Franco criticou a zombaria com a morte da vereadora durante a manifestação em frente à PUC-Rio e destacou a trajetória acadêmica e política dela.

A entidade lembrou que Marielle era formada em Ciências Sociais pela PUC-Rio, mestre em Administração Pública pela UFF e que, como vereadora, utilizou seus estudos sobre segurança pública para elaborar projetos de lei. O instituto também ressaltou o papel das universidades na promoção do pensamento crítico e afirmou que zombar da morte de alguém não é debate.

A PUC-Rio também foi procurada para esclarecer a realização das manifestações após a divulgação da proibição de eventos político-partidários em suas dependências, mas também não respondeu. Em nota publicada nesta segunda-feira (12), a Liga da Juventude Livre afirmou que a organização do ato “A PUC Também é Nossa” havia sido alinhada previamente com representantes da universidade, em reunião realizada em 9 de outubro.

O grupo contestou a decisão da PUC-Rio de proibir eventos político-partidários até o fim das eleições, argumentando que a mobilização era apartidária e não previa campanha eleitoral. Após a decisão da universidade, a Liga informou que não realizaria o ato dentro do campus e convocou uma nova manifestação para esta terça-feira (13), às 10h59, em frente à entrada da Rua Padre Leonel Franca, em área pública.

O grupo também reafirmou o compromisso com a vedação à campanha eleitoral, o repúdio a discursos de ódio e a qualquer forma de violência.