TRE-RJ indefere 15 candidaturas de suspeitos com ligação com o crime Cristiane Brasil (DC), filha do ex-deputado Roberto Jefferson, e o Pastor Everaldo (Podemos) estão entre os 15 candidatos que tiveram os registros indeferidos pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) por suspeitas de vínculos com organizações criminosas.
O balanço das medidas adotadas pela Justiça Eleitoral para combater a influência do crime organizado nas eleições de outubro foi apresentado nesta segunda-feira (14), último dia para julgamento do registro das candidaturas.
Indeferidos por associação a organizações criminosas Candidatos a deputado estadual: Vandro Família — PSDB Val Ceasa — PRD Renato Machado — PT Diego José Alba — PSDB João Drumond — PRD Cristiano Santos Hermógenes — Avante Vagner Mateus dos Santos, o Vaguinho Neguinho — PRD Paulo Melo — União Brasil A ex-deputada federal Cristiane Brasil, em imagem de 2016 na Câmara dos Deputados Wilson Dias/Agência Brasil Candidatas a deputada federal: Mariana de Souza — Federação União Progressista - PP Cristiane Brasil (registrada como Cristiane do Roberto Jefferson) — DC Indeferidos por "milícia de gravata" Pastor Everaldo Luis Macedo / Câmara dos Deputados No início do mês, o TRE-RJ ampliou o conceito de organização criminosa que pode levar ao indeferimento de uma candidatura e passou a incluir a chamada “milícia de gravata”.
Segundo o tribunal, diferentemente das milícias tradicionais, que usam armas para controlar comunidades e territórios, esses grupos se infiltram nos poderes Executivo e Legislativo e se apropriam da máquina pública para controlar contratos e fraudar licitações. A nova interpretação permite enquadrar como organização criminosa grupos que atuam dessa forma, mesmo sem o uso ostensivo de armas ou o controle territorial característico das milícias e das facções do tráfico de drogas.
O entendimento foi aprovado pelo TRE-RJ por 4 votos a 3. Candidaturas a deputado federal indeferidas: Paulo Lomenha — Mobiliza Marcos Muiler — Avante Clébio Lopes Jacaré — União Brasil Filipe de Almeida, filho do Pastor Everaldo — Podemos Suplente de Senador: Everaldo Pereira (Pastor Everaldo) — Podemos No caso de Pastor Everaldo, o registro foi indeferido por unanimidade por enquadramento no conceito de "milícia de gravata" e por ausência de documentos.
O g1 tenta contato com a defesa dos candidatos barrados, que podem recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral. Mudanças de local afetam 200 mil eleitores Um levantamento da Justiça Eleitoral também levou à mudança de endereço de 72 locais de votação, em 20 municípios do estado, que ficavam em áreas controladas ou disputadas por organizações criminosas. Mais de 200 mil eleitores foram transferidos para áreas consideradas mais seguras.
O trabalho foi realizado pela Justiça Eleitoral com apoio do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e dos setores de inteligência da Polícia Civil, Polícia Militar e Polícia Federal. Comando Vermelho Dos 72 locais de votação que tiveram o endereço alterado, 44 ficavam em áreas controladas pelo Comando Vermelho (CV). As seções atendiam 121 mil eleitores e estavam espalhadas pela cidade do Rio e por outros 16 municípios, de Norte a Sul do estado.
Veja a distribuição: Araruama: 2 Bom Jesus de Itabapoana: 1 Cabo Frio: 1 Campos: 1 Itaboraí: 5 Itaperuna: 2 Japeri: 1 Macaé: 1 Nilópolis: 1 Niterói: 3 Resende: 1 Rio Bonito: 2 Rio das Ostras: 4 Rio de Janeiro: 11 São Gonçalo: 5 São João de Meriti: 2 Volta Redonda: 1 Na cidade do Rio, 11 locais de votação foram transferidos por estarem em áreas controladas pelo Comando Vermelho. A maioria fica na Zona Sudoeste.
As mudanças ocorreram em: Cidade de Deus (2), Curicica (1), Conjunto Cesar Maia (1), Gardênia Azul (3), Pavuna (1), Ricardo de Albuquerque (1), Rocha Miranda (1) e Vaz Lobo (1). TCP Outros 17 locais de votação ficavam em áreas dominadas pelo Terceiro Comando Puro (TCP). Juntos, eles atendiam 50 mil eleitores em seis municípios.
Foram transferidos locais em: Campos: 5 Itaperuna: 1 Niterói: 1 Pinheiral: 1 Rio de Janeiro: 7 Volta Redonda: 2. Milícia A Justiça Eleitoral identificou ainda cinco locais de votação em áreas controladas pela milícia. Eles ficavam no Rio de Janeiro e em Nova Iguaçu e recebiam 14 mil eleitores.
Quatro desses locais ficavam em Nova Iguaçu e um na capital. Áreas em disputa Outros cinco locais de votação estavam em áreas disputadas pelo Comando Vermelho, pelo TCP e por milicianos. Um deles ficava em Itaguaí, em uma região disputada pela milícia e pelo CV.
Em Niterói, dois estavam em áreas de confronto entre CV e TCP. Nova Iguaçu tinha um local em área disputada por milicianos e pelo Comando Vermelho. Na cidade do Rio, outro local também ficava em uma região disputada por milícia e CV.
ADA Em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, um local de votação ficava em uma área controlada pela facção Amigo dos Amigos (ADA) e também teve o endereço alterado.
