Influenciadora e advogado são presos suspeitos de comandar esquema de tráfico ligado à máfia italiana Casado com a influenciadora Paula Simões, Patrick Assisi é apontado pela Polícia Federal como integrante da máfia italiana N'Drangheta e teria participado de um esquema de tráfico internacional de drogas com envio de cocaína para a Europa a partir de portos brasileiros. Segundo as investigações, após a prisão de Patrick, Paula Simões assumiu a coordenação da organização criminosa no Brasil.

De acordo com as investigações, Patrick foi preso em julho de 2019 ao lado do pai, Nicola Assisi, na Operação Barão Invisível, coordenada pela Polícia Federal do Paraná. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Santos no WhatsApp. Na época, as investigações apontavam que a organização era a responsável por controlar aproximadamente de 40% dos envios globais de cocaína à Europa, principal mercado consumidor.

Os dois eram alvos de mandados de prisão do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da Representação da Polícia Federal junto à Interpol, em cooperação com a polícia italiana. Pai e filho estavam em uma cobertura de luxo na orla da Aviação, em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Nicola Assisi e Patrick Assisi foram presos pela Polícia Federal em Praia Grande, SP Adriana Cutino/TV Tribuna Os policiais do Grupo de Pronta Intervenção (GPI) cercaram a região.

No apartamento, havia três armas, quase cinco quilos de cocaína e grande quantidade em dinheiro em moeda nacional e estrangeira. No local, além dos ilícitos, havia um compartimento secreto no fundo falso de uma parede, que poderia também ser utilizado como rota de fuga. Segundo a polícia italiana, pai e filho trabalhavam em conjunto com uma das maiores facções criminosas brasileiras, que atua dentro e fora dos presídios do país.

Eles são suspeitos de enviar cocaína à Europa pelos portos de Santos e de Paranaguá (PR). Ainda de acordo com a polícia italiana, Nicola estava prestes a se aposentar do crime para aproveitar a vida em algum lugar no Brasil, onde ambos eram procurados desde 2014. A Interpol também estava atrás deles desde a ocasião.

A suspeita é que pai e filho tenham viajado utilizando documentos falsos pela América Latina até serem presos em Praia Grande. Patrick Assisi foi condenado no Brasil a mais de 14 anos de reclusão, em sentença que manteve a prisão preventiva. Ele foi transferido do presídio em Rondônia para o Sistema Penitenciário Federal, em Brasília.

Em 2022, a defesa dele solicitou a transferência dele para um presídio em São Paulo. O pedido foi negado por ele apresentar risco a ordem e a segurança pública, "uma vez que mesmo recluso no SPF continuaria a exercer um papel de liderança na organização criminosa internacional, sendo considerado um preso de altíssima periculosidade, existindo ainda indícios de ligação com líderes da facção criminosa "PCC".

Patrick Assisi e a esposa Paula Simões Divulgação e Reprodução/Instagram Assisi preso Após as prisões em 2019, para a Polícia Federal, a organização continuou operando. A influenciadora e esposa de Patrick Assisi, a brasileira Paula Simões assumiu a coordenação das atividades ligadas ao tráfico de cocaína como uma espécie de "herdeira operacional" do grupo. Segundo a investigação, Paula teria contado com a ajuda do advogado Patrick Cardoso, que defendia os mafiosos presos e atuaria como intermediário entre eles.

Ele se aproveitava do contato reservado com os clientes para transmitir orientações sobre os negócios criminosos. Patrick Cardoso e Paula Simões, suspeitos de envolvimento com máfia Reprodução/TV Globo Os investigadores afirmam que, mesmo preso, Patrick Assisi continuou exercendo influência sobre os negócios da organização. A polícia encontrou fotografias de bilhetes produzidos dentro da Superintendência da PF em São Paulo.

Neles, os mafiosos davam ordens sobre os negócios da organização, incluindo a cobrança de dívidas. Em uma das cartas, Patrick Assisi orientava Paula a enviar um comparsa conhecido como "BXX" para recuperar dinheiro e bens que pudessem ser vendidos. As investigações apontam que o grupo utilizava a estrutura logística do Porto de Paranaguá, no Paraná, para enviar cocaína à Europa escondida em contêineres, além de utilizar mecanismos financeiros clandestinos para movimentar recursos do tráfico internacional.

Herdeira operacional Paula Simões foi apontada pela PF como 'herdeira operacional' de esquema ligado à máfia italiana ‘Ndrangueta’ Redes sociais No Instagram, Paula se apresenta como criadora de conteúdo digital e influenciadora. O perfil reúne publicações sobre assuntos variados, como maquiagem, cuidados estéticos, música e vídeos de dança. "Se as pessoas soubessem que tenho coragem de botar fogo nelas não arriscavam tanto...", escreveu a influenciadora.

Não há indicação de que a publicação tenha relação com os crimes investigados ou de que a frase tenha sido dirigida a alguma pessoa específica. A decisão judicial também aponta indícios de que Paula tenha administrado aproximadamente 2,2 toneladas de cocaína que permaneceram sob controle do grupo após a prisão dos familiares. Segundo a PF, mesmo depois da apreensão desse estoque, ela teria continuado a adquirir outros carregamentos.

Segundo os investigadores, Paula utilizava o codinome 'Chanel' no SkyECC, aplicativo de mensagens criptografadas. A investigação analisou conversas realizadas entre janeiro de 2020 e fevereiro de 2021. Paula Simões é suspeita de assumir o comando de esquema de tráfico internacional de drogas Reprodução/Fantástico A PF também aponta que a ascensão de Paula Simões ao comando das operações provocou tensões dentro da própria organização.

Conforme a investigação, integrantes da 'Ndrangheta passaram a ameaçá-la após descobrirem um suposto relacionamento extraconjugal entre ela e o advogado. Segundo a corporação, integrantes da máfia chegaram a afirmar que a "cabeça" da influenciadora valia cerca de 250 mil euros, o equivalente a aproximadamente R$ 1,4 milhão, por ela estar usufruindo de viagens e luxo financiados pelo narcotráfico ao lado do advogado entre 2019 e 2023.

A cúpula da organização também teria pressionado Paula Simões a quitar dívidas relacionadas a carregamentos de cocaína e a se afastar de Patrick Cardoso. Prisões Grupo ligado à máfia italiana é alvo de operação da PF por tráfico de drogas Paula e Patrick Cardoso foram presos na Operação Eredità, com mandados sendo cumpridos em Palhoça (SC), São Paulo (SP), São Caetano do Sul (SP), Santos (SP) e Americana (SP). A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores e o sequestro de imóveis dos investigados.

A investigação reuniu elementos de apurações anteriores, entre elas as operações Retis e Spiderweb. A ação foi conduzida por uma Equipe Conjunta de Investigação formada por autoridades do Brasil e da Itália entre 2020 e 2025. Do lado brasileiro, participaram a Polícia Federal e o Ministério Público Federal.

Na Itália, integraram o trabalho o Departamento Anticrime de Turim do ROS Carabinieri e o Ministério Público de Turim. O que dizem as defesas? A defesa de Patrick Cardoso afirmou que o advogado sempre atuou dentro dos limites da advocacia ao longo de 25 anos de carreira e que já apresentou um pedido de revogação da prisão preventiva.

O advogado de Paula Simões afirmou que ela nega todas as acusações e que nenhuma droga foi apreendida com ela. Segundo a defesa, a suspeita de que as atividades criminosas teriam continuado após a prisão dos Assisi são inferências da autoridade policial, não fatos comprovados. VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos