Fungos que brilham no escuro são atração em parque no interior de SP Em meio à escuridão da Mata Atlântica, pequenos pontos de luz chamam a atenção de quem participa de uma caminhada noturna no Parque Estadual Carlos Botelho, em São Miguel Arcanjo (SP). São os fungos bioluminescentes, organismos capazes de produzir uma luz esverdeada por meio de reações químicas.
Segundo Nathália Zandomenegui, gestora do Parque Estadual Carlos Botelho pela Fundação Florestal, atualmente são conhecidas mais de 120 espécies de fungos bioluminescentes no mundo. Na unidade, porém, os levantamentos ainda estão em fase inicial e apontam a presença de exemplares dos gêneros Gerronema e Mycena. 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp "Entre os registros já realizados estão Gerronema viridilucens, Mycena lucentipes, Mycena luxaeterna e Mycena sp.
A expectativa é que novas espécies sejam registradas conforme os estudos avancem", relata. Conforme Nathália, os fungos estão associados principalmente a matéria vegetal em decomposição. No parque, já foram encontrados em folhas da serrapilheira, pequenos galhos, madeira e junto a palmeiras, inclusive em folhas caídas do palmito-juçara.
Atividade permite observação de fungos bioluminescentes, espécies conhecidas como 'cogumelos fantasmas', que brilham com luz verde no escuro Parque Estadual Carlos Botelho/Divulgação Por que brilham? A luz produzida pelos fungos é resultado de uma reação bioquímica. De forma simplificada, o processo envolve moléculas e enzimas capazes de produzir a emissão de luz, fenômeno conhecido como bioluminescência.
"A função dessa bioluminescência ainda é estudada, mas uma das principais hipóteses é que ela ajude a atrair diversos artrópodes, como besouros, moscas e formigas", comenta Nathália. O biólogo Danilo Trabuco do Amaral, formado pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), no câmpus de Sorocaba, participa de expedições noturnas para estudar esses organismos bioluminescentes.
Ao g1, ele explica que, ao entrar em contato com o fungo, estes artrópodes, que são pequenos animais, transportam os esporos para outros pontos da floresta. "Você mantém os esporos ali, os insetos que estão em volta são atraídos por essa luz, encostam naquele cogumelo, daí fica preso nele todo o material que pode ser transportado pra outro local, e daí esses organismos levam pra outros locais, e se espalham." Dessa forma, a luz pode ajudar o fungo a chegar a novos ambientes e favorecer a continuidade da espécie.
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"Existem registros de animais consumindo fungos bioluminescentes em outras regiões, mas ainda não temos informações suficientes sobre quais espécies se alimentam especificamente dos fungos encontrados no Carlos Botelho", aponta Nathália. O brilho ocorre por uma reação bioquímica envolvendo uma molécula chamada luciferina e uma enzima chamada luciferase, que produz luz esverdeada, segundo a gestora do Parque Carlos Botelho Michel R.
Soares Fungos e vagalumes não têm relação direta Apesar de chamarem a atenção pelo brilho, os fungos bioluminescentes e os vagalumes não dependem um do outro e desempenham funções diferentes no ecossistema. Segundo Danilo, os dois podem ser encontrados em ambientes semelhantes, como no Carlos Botelho, mas também aparecem separadamente. Além disso, ele diz que os pesquisadores atribuem funções diferentes à bioluminescência de cada grupo.
"Para um, no caso, os vagalumes, a luz tem como objetivo a atração de presa e parceiro sexual, e pro outro, é dispersão", explica Danilo. Todos os cogumelos são fungos, mas a imensa maioria dos fungos não forma cogumelos Michel R. Soares É toxico?
Nathália Zandomenegui explica que bioluminescência não oferece risco, no entanto, não se deve tocar ou consumir cogumelos sem identificação, pois existem espécies de fungos luminosos que podem ser tóxicas. "Curiosamente, alguns fungos bioluminescentes também vêm sendo estudados como ferramentas para detectar contaminantes ambientais. Mas vale lembrar que no parque é permitido apenas a observação desses fungos", ressalta.
Onde e quando é possível encontrar? No Carlos Botelho, os registros feitos até agora indicam maior ocorrência dos fungos bioluminescentes principalmente entre novembro e maio, período em que as condições quentes e úmidas favorecem o aparecimento dos cogumelos. A observação é favorecida por noites próximas à Lua Nova, quando há menor luminosidade natural.
Durante o passeio, lanternas são utilizadas apenas para o deslocamento e, preferencialmente, com luz vermelha e de baixa intensidade. "Nos pontos de observação, as luzes são apagadas e os visitantes aguardam alguns minutos para que os olhos se adaptem à escuridão. É nesse momento que os pequenos pontos luminosos podem ser percebidos na mata", indica a gestora.
Para evitar impactos sobre o ambiente, os visitantes precisam permanecer nas trilhas e locais definidos, não tocar ou retirar os fungos e evitar pisotear a vegetação e a serrapilheira. A observação é realizada com acompanhamento de monitor ambiental cadastrado. Atividade de observação de fungos bioluminescentesé feita apenas com o acompanhamento de um monitor ambiental cadastrado no Parque Estadual Carlos Botelho Michel R.
Soares Menor presença na área urbana Além da beleza do fenômeno, a presença de fungos e vagalumes também pode ajudar os pesquisadores a entender as condições ambientais da região. Danilo explica que os fungos bioluminescentes são encontrados principalmente em áreas de mata mais fechada e que ambientes poluídos podem dificultar a permanência desses organismos. "São ótimos biomarcadores.
O trabalho do pessoal da USP mostra que esses fungos são capazes de aguentar mudanças de quantidade de metal pesado, eles continuam sobrevivendo, mas acabam diminuindo a intensidade de luz. De maneira geral, ambientes poluídos dificultam a presença desses fungos", ressalta. A bioluminescência não oferece risco, mas não se deve tocar ou consumir cogumelos sem identificação especializada, pois existem espécies de fungos luminosos que podem ser tóxicas Michel R.
Soares No caso dos vagalumes, essa relação é ainda mais estudada. Eles podem ser utilizados como indicadores ambientais por serem afetados, por exemplo, pela poluição da água e pela excesso de luz artificial. "Muitos deles dependem na fase larval dessa área próxima à riachos.
E se esses riachos ou lagos estiverem poluídos, consequentemente, esses organismos não crescem. E eles também são importantes pra fotopoluição, que é a poluição luminosa", aponta o biólogo. A iluminação artificial durante a noite pode interferir na comunicação entre os vagalumes, dificultando que indivíduos da mesma espécie se encontrem.
Segundo o especialista, a presença desses organismos ajuda a mostrar que determinadas condições do ambiente ainda permitem a sobrevivência de espécies que dependem de uma floresta preservada. Turismo de observação A bioluminescência ganha cada vez mais espaço para atividades de turismo de natureza e educação ambiental em diferentes partes do mundo.
Para Danilo, além de proporcionar uma experiência diferente aos visitantes, esse tipo de atividade pode aproximar as pessoas de organismos que são cada vez mais difíceis de observar em áreas urbanas. O pesquisador cita a redução da presença de vagalumes em ambientes urbanos como um exemplo dos efeitos que alterações ambientais podem provocar sobre esses organismos.
“A ideia é que esse tipo de turismo mostre novamente esses organismos, que são um fenômeno superbonito, para as pessoas mais jovens, que não têm essa possibilidade de vê-los mais na cidade”, afirma. No caso do Parque Carlos Botelho, a experiência também reforça a importância da conservação da Mata Atlântica.
O parque é uma das áreas protegidas que mantêm grandes trechos de floresta na região e oferece condições para a sobrevivência de espécies que dificilmente seriam encontradas em ambientes urbanos ou muito alterados. “Quantas espécies a gente não observa, mas que estão usando esse ambiente para sobreviver?”, questiona Danilo. A unidade florestal funciona de terça-feira a domingo, das 8h às 17h.
Interessados em conhecer o Núcleo São Miguel Arcanjo do Parque Carlos Botelho podem acessar o site. Já para as atividades realizadas no Núcleo Sete Barras, acesse o link. Parque no interior de SP tem espécies de fungos bioluminescentes; de novembro a maio, é a melhor época para observação Michel R.
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