Alunos enfrentam lama e travessia de rio para chegar a escola em Santarém Reprodução Para Geisiane Sabrina, de 16 anos, o caminho até a escola começa bem antes do sinal para o início das aulas. Todos os dias, ela sai de casa, caminha até um porto, embarca e passa cerca de uma hora no barco até chegar à comunidade Santa Maria do Tapará, na região de várzea de Santarém, no oeste do Pará.
✅ Clique aqui e siga o canal g1 Santarém e Região no WhatsApp Geisiane está no 2º ano do ensino médio e é uma das cerca de 15 estudantes que fazem esse percurso diariamente para estudar na Escola Coração de Maria. Os alunos são atendidos pela rede municipal por meio de uma parceria com o Governo do Estado. “Não é uma situação nada fácil.
Só enfrenta mesmo quem tem força de vontade e almeja um futuro melhor”, conta. Na época de estiagem, quando o nível do Rio Amazonas baixa, o caminho fica ainda mais difícil. A redução do nível da água deixa parte da margem exposta e aumenta o trecho de lama que precisa ser atravessado para chegar à terra firme.
Alunos enfrentam lama e travessia de rio para chegar a escola em Santarém Sem um ponto de desembarque próximo à área seca, os estudantes precisam descer do barco na água. Primeiro, retiram as mochilas e os materiais escolares para evitar que sejam molhados. Depois, alguns tiram os sapatos e seguem pela lama.
“Quem vai limpo para a escola chega sujo, porque tem que cair na água para pegar o barco, para poder chegar à escola. É todo um trajeto, e isso é muito difícil”, relata Geisiane. A situação também está relacionada às características da região.
Nas comunidades de várzea, o nível da água muda ao longo do ano e as margens acompanham essa dinâmica. Em alguns pontos, o fenômeno conhecido como “terras caídas” provoca erosão e o recuo do terreno, o que dificulta a instalação de estruturas permanentes, como portos e rampas. Mesmo com as dificuldades, o trajeto faz parte da rotina de quem não abre mão dos estudos.
Depois de enfrentar a caminhada, a viagem de barco e a lama, os alunos chegam à escola para começar mais um dia de aula. Muitas vezes, o uniforme já não está mais limpo e o cansaço da viagem acompanha os estudantes. Mas, para Geisiane, tudo isso tem um motivo.
Desde criança, ela sonha em ser enfermeira. É esse objetivo que faz com que a estudante enfrente o percurso todos os dias. “Eu quero terminar meus estudos, fazer uma faculdade e realizar meu sonho de ser enfermeira”, diz.
Assim como ela, outros estudantes da região enfrentam o deslocamento diário para continuar estudando. Para quem vive às margens do rio, o caminho até a escola muda conforme a natureza muda. Na cheia, a água chega mais perto das comunidades.
Na estiagem, o rio baixa, a lama aparece e o desembarque fica mais difícil.
O g1 solicitou nota da Secretaria Estadual de Educação e aguarda retorno. O que diz a Semed Em nota, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) informou que a estiagem altera as condições de navegação e dificulta o acesso das embarcações a algumas comunidades. Segundo a secretaria, os efeitos da seca são sentidos de forma mais antecipada no Igarapé da Praia, localizado às margens do Rio Amazonas, e impactam diretamente o deslocamento dos estudantes.
A Semed informou ainda que acompanha as condições de acesso em conjunto com as empresas responsáveis pelo transporte escolar e busca alternativas para garantir a continuidade do atendimento aos alunos. De acordo com a secretaria, equipes técnicas realizam visitas periódicas à região para verificar as condições do transporte e a realidade dos estudantes e da comunidade escolar.
Uma nova visita será realizada para avaliar as condições atuais. A partir do diálogo com a escola e a comunidade, a secretaria pretende definir estratégias para melhorar o atendimento durante o período de estiagem. VÍDEOS: mais vistos do g1 Santarém e Região
