A Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (Dcav) indiciou, neste ano, quatro pessoas por integrarem um organização criminosa em um esquema de exploração sexual de menores, estupro de vulnerável e produção de conteúdo sexual com menores de idade. Apontado como o chefe do esquema pela polícia, o professor universitário e advogado Cordovil Antônio Nogueira Martins está preso desde março.

Em mensagens trocadas com outra integrante do grupo, ele faz um pedido específico no dia 30 de novembro de 2022: "Arruma a novinha, mais ou menos zero quilômetro, e a gente vai sair", diz ele. Professor universitário é preso investigado por pelo menos 4 estupros de vulneráveis no Rio Prints de conversas obtidas a partir da quebra do sigilo de Cordovil indicam que os participantes da organização criminosa falavam abertamente sobre levar menores para o esquema de exploração sexual.

Uma das integrantes, que era empregada doméstica de Cordovil e foi presa neste sábado, tem registros de conversas "apresentando" várias fotos de meninas menores de idade para Cordovil. "Eu já te mandei a foto das duas: uma de 15 e outra de 14", diz ela, também no dia 30 de novembro de 2022.

Cordovil (à esquerda) quando foi preso, em março de 2026 Reprodução Cordovil é réu em um processo na Vara Especializada em Crimes contra a Criança e o Adolescente da Capital (Veca), do Tribunal de Justiça do Rio, e já teve a prisão preventiva decretada pela Justiça. Neste sábado (10), Luiz Alberto Martins Sobrinho, de 68 anos, foi preso na Gávea, na Zona Sul. Já Mariana de Oliveira Minas foi presa em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

A polícia ainda procura por Ariane Minas, filha de Mariana, que já é considerada foragida. Todos foram alvos de pedidos de prisão temporária expedidos pela Vara Especializada em Crianças e Adolescentes (Veca). Segundo a delegada titular da Dcav, Maria Luiza Machado, todos eles respondem por estupro de vulnerável, favorecimento à prostituição e associação criminosa.

Luiz Alberto Martins Sobrinho também responde por armazenamento de conteúdo de abuso sexual infantojuvenil Além destes crimes, Cordovil também responde por produção, armazenamento e compartilhamento de conteúdo de abuso sexual infantojuvenil. O g1 tenta contato com as defesas dos presos.

Como funcionava o esquema O esquema era estruturado e dividido com tarefas estabelecidas, de acordo com a Dcav: Cordovil Nogueira: Exploração sexual, produção de conteúdo sexual com menores de idade e pagamento para vítimas e responsáveis Ariane e Mariana Minas: recrutamento e entrega das vítimas Luiz Alberto Martins Sobrinho: aliciamento direto e participação nos abusos sexuais As investigações indicam que Cordovil comandava um projeto social na faculdade Cândido Mendes.

No local, ele se aproveitava da vulnerabilidade social das vítimas para se aproximar delas, oferecendo dinheiro, lanches, presentes, celulares e outras vantagens. Além de ser uma forma de aliciamento, serviria para "comprar" o silêncio das vítimas. As vítimas eram levadas, de uber ou no veículo de Cordovil, para a casa dele no Grajaú, Zona Norte do Rio.

As investigações apontam que Luiz Alberto recebia valores em transações via pix de Cordovil para levar crianças entre 10 e 16 anos para sua casa. Funcionário público, Sobrinho é apontado como o principal aliciador da organização criminosa pela investigação. Ele organizava, segundo a Dcav, festas que eram utilizadas para exploração sexual de crianças e adolescentes.

Além de aliciar, ele também participava dos abusos na casa de Cordovil, de acordo com as investigações. Uma das provas obtidas pela polícia é uma conversa entre Luiz e Cordovil, em que fotos de uma vítima de apenas 10 anos são trocadas entre eles. Os dois marcam o encontro com a menina no dia 14 de novembro de 2022, e ainda conversam sobre comprar um celular para a vítima como uma contrapartida pelos abusos.

"Que dia pode mandar para comprar o telefone?", pergunta Luiz. "É só falar o valor", responde Cordovil, perguntando pela inicial do nome da vítima. "Sim, ela adorou, quer voltar semana que vem, disse que tava no paraíso", disse Luiz Alberto.

"Que ótimo, ela também é muito simpática", comenta Cordovil. Em outras conversas envolvendo Cordovil e Luiz Alberto obtidas pela polícia, a mesma vítima é tratada por apelidos como "semente" e "exclusiva". Luiz Alberto Martins Sobrinho foi preso na Gávea, na Zona Sul do Rio Reprodução Criança aliciada em troca da festa do filho Já Ariane e Mariana recrutavam adolescentes para ir à casa do professor universitário, no Grajaú, em troca de contrapartidas financeiras.

Uma delas foi a festa de aniversário do filho de Ariane, que teria sido paga por Cordovil, de acordo com as mensagens obtidas pela polícia. Mensagens mostram que Ariane aliciou uma vítima de 14 anos, em março de 2022, para ir até a casa de Cordovil. "Vou te mandar a foto da menina que eu consegui para você", diz Ariane, enviando duas fotos em sequência.

Cordovil pergunta se a vítima tem filhos ou é comprometida, e Ariane responde que não. "Ótimo, tá aprovada", responde Cordovil. "Eeeeeeeee", responde Ariane.

Na sequência da conversa, ela lembra que no sábado seguinte era aniversário de seu filho. "Queria fazer um bolinho pra ele, com guaraná, cachorro quente, docinho e uns salgadinhos, pra não passar em branco. Você poderia me adiantar um dinheiro?", questiona.

"Vou ver o que eu posso fazer", responde Cordovil. As investigações da Dcav também apontam que mães são suspeitas de explorar as próprias filhas no esquema criminoso, submetendo as vítimas à prostituição ou negociando vantagens em troca. Oito mil arquivos no celular Segundo a denúncia, após conquistar a confiança das vítimas, o acusado praticava os abusos na própria casa, no Grajaú.

Além dos crimes sexuais, ele também produzia registros em foto e vídeo, caracterizando exploração sexual e produção de material pornográfico. As investigações também apontam que parte desse conteúdo chegou a ser compartilhada. Durante as investigações, agentes encontraram mais de 8 mil arquivos com conteúdo sexual envolvendo crianças e adolescentes no celular do advogado.

Segundo o MPRJ, o volume de material levanta a suspeita de que o número de vítimas seja maior do que o já identificado. O Ministério Público pediu à Justiça a fixação de uma indenização mínima de R$ 500 mil para cada vítima identificada. Professor universitário é preso investigado por pelo menos 4 estupros de vulneráveis no Ri