Professor sofre injúria racial na internet Os registros de racismo e injúria racial em Minas Gerais cresceram nos sete primeiros meses de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. Dados do Observatório de Segurança Pública da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) mostram aumento nas ocorrências consumadas dos dois crimes tanto no estado quanto em Belo Horizonte.
De janeiro a julho deste ano, Minas Gerais contabilizou 194 casos de racismo consumado, contra 139 registros no mesmo período de 2025. O aumento é de aproximadamente 40%. No ano passado, o estado encerrou o período de 12 meses com 276 ocorrências.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Minas no WhatsApp Em Belo Horizonte, a alta foi ainda mais expressiva. A capital registrou 63 casos de racismo consumado entre janeiro e julho de 2026, frente a 39 ocorrências no mesmo intervalo de 2025, crescimento de cerca de 62%. Ao longo de todo o ano passado, foram contabilizados 83 registros na cidade.
Já os casos de injúria racial consumada também apresentaram avanço. Em Minas Gerais, foram 1.296 ocorrências nos sete primeiros meses de 2026, contra 1.198 no mesmo período de 2025, uma alta de aproximadamente 8%. Em todo o ano passado, o estado registrou 2.117 casos.
Na capital mineira, os registros passaram de 211 para 254 entre os dois períodos analisados, o que representa um crescimento de cerca de 20%. Em 2025, Belo Horizonte fechou o ano com 385 ocorrências de injúria racial consumada. Os números indicam que, mesmo antes do fechamento de 2026, tanto Minas Gerais quanto Belo Horizonte já acumulam volume significativo de registros relacionados a crimes de discriminação racial.
Enquanto o racismo apresentou crescimento mais acentuado, especialmente na capital, a injúria racial segue concentrando a maior quantidade de ocorrências entre os delitos analisados.
Ofensas raciais de vereador em redes sociais Montagem mostra professor de BH vítima de injúria racial, João Vitor Saraiva, print de ofensa em rede social e autor da ofensa, o vereador de Piracicaba Fabrício Polezi Reprodução/Redes sociais Em uma denúncia recente, registrada na polícia em Belo Horizonte, o professor João Vitor Saraiva, doutorando em Ciência Política, acusou o vereador Fabrício Polezi (PL), de Piracicaba (SP), de injúria racial após ser alvo de ofensas de cunho racial nas redes sociais.
Segundo o acadêmico, Polezi fez comentários sobre um vídeo publicado por ele e o chamou de "negrão picareta". O vereador também afirmou que o professor nunca teria estudado ou saído de casa e questionou se ele morava em um "quilombo na Bahia excluído da civilização". "Não teria problema nenhum se eu morasse num quilombo.
A gente tem a resistência quilombola no Brasil de uma forma tão potente. Mas ele coloca isso num sentido de que eu não teria acesso a nada", afirma o professor. A Polícia Civil de Minas Gerais informou que um inquérito foi instaurado para apurar os fatos, registrados como injúria racial.
A investigação é conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão a Crimes de Racismo, Xenofobia, LGBTfobia e Intolerâncias Correlatas (Decrin), em Belo Horizonte. Fabrício Polezi nega a acusação de injúria racial. Em nota enviada à reportagem da TV Globo, ele afirmou que seu mandato é pautado pela "igualdade e equidade para todas as pessoas" e classificou a acusação como "calúnia" e "difamação".
Os vídeos mais vistos do g1 Minas:
