O governo da Alemanha afirmou nesta terça-feira (1º) que a Rússia é responsável pelo incidente com um drone carregado de explosivos ocorrido em agosto no aeroporto de Leipzig/Halle, no leste do país. Segundo o ministro do Interior, Alexander Dobrindt, a conclusão foi tomada após a análise da tecnologia utilizada no equipamento e de outras informações de inteligência. O episódio envolveu um drone equipado com explosivos e um detonador encontrado dentro da área do aeroporto.
“Depois de avaliar a tecnologia utilizada e outras informações de inteligência, o governo conclui que a Rússia é responsável pelo ataque híbrido em Leipzig em 4 de agosto”, afirmou Dobrindt. Em 4 de agosto, um avião de carga da empresa de logística DHL colidiu com um objeto não identificado enquanto subia após decolar do aeroporto pouco antes da meia-noite desta terça-feira (4). Por causa do impacto, a aeronave, que sofreu danos leves em sua parte dianteira, teve que fazer um pouso não programado em Hanover.
Um drone foi encontrado perto da pista de onde ela decolou, pouco depois do incidente. De acordo com autoridades alemãs, o dispositivo estava equipado com um "dispositivo explosivo" e a polícia usou um robô para remover o detonador com segurança. O aeroporto de Leipzig/Halle é um centro de transporte de cargas e também tem relevância militar.
O local é usado pela empresa de logística DHL e serve de base para aviões de carga Antonov An-124, utilizados em operações da Otan para transportar equipamentos e reforçar a defesa do flanco leste da aliança. O drone foi encontrado próximo a aeronaves ucranianas. O incidente provocou a interrupção temporária das operações e o fechamento de pistas.
Um segundo objeto, que investigadores suspeitam ser outro drone, atingiu um avião de carga durante a tentativa de arremetida. A aeronave pousou em Hannover com danos leves. A investigação passou a ser conduzida pelo procurador-geral federal da Alemanha, que classificou o caso como um possível ataque contra a infraestrutura de transporte e logística do país.
As autoridades alemãs inicialmente não apontaram um responsável. O ministro Dobrindt, porém, classificou o episódio como uma nova forma de ameaça híbrida. Em agosto, ele afirmou que a Alemanha vinha sendo alvo de espionagem, ataques cibernéticos, sabotagens e outras ações de desestabilização atribuídas a atores estrangeiros.
O governo também anunciou planos para ampliar a estrutura de defesa contra drones no país. A acusação contra Moscou ocorre em meio a uma série de episódios de sabotagem e outras ações clandestinas investigadas em países europeus desde o início da invasão russa contra a Ucrânia, em 2022. Autoridades ocidentais acusam serviços de inteligência russos e grupos ligados a eles de tentar atingir infraestruturas estratégicas e enfraquecer o apoio europeu à Ucrânia.
Moscou nega envolvimento e já classificou acusações anteriores de participação russa em ações semelhantes como “provocações fabricadas”. O chanceler alemão, Friedrich Merz, havia afirmado no fim de agosto que o governo estava concluindo a investigação e preparava uma resposta coordenada com parceiros da União Europeia e da Otan. Segundo a Reuters, Berlim avalia inclusive novas sanções contra Moscou.
A Alemanha também anunciou uma iniciativa conjunta com outros países banhados pelo mar Báltico para reforçar a defesa contra drones. A proposta prevê uma força-tarefa entre os oito países da Otan que têm litoral no Báltico, com o objetivo de compartilhar rapidamente informações e reagir a ameaças híbridas.
