Feira de botânica em MS surpreende com ciência e curiosidades Uma geleia feita de tereré, plantas observadas por dentro e uma coleção com mais de 10 mil selos de espécies vegetais de diferentes países. Essas são algumas das curiosidades apresentadas nesta quarta-feira (14), durante a feira "Botânica na Praça", realizada na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em Campo Grande.
A exposição faz parte do 76º Congresso Nacional de Botânica e reúne oito estações com experimentos, pesquisas e atividades preparadas por professores e estudantes. A proposta é mostrar, de forma simples, como as plantas estão presentes na alimentação, nos medicamentos e até nos objetos que usamos todos os dias. O evento estava previsto para acontecer na Praça Ary Coelho, no Centro da capital, mas foi transferido para a universidade por causa da previsão de chuva.
As atividades seguem até o meio-dia desta quarta-feira. Criança observando plantas e colecionador de selos Gabi Cenciarelli Plantas vistas por dentro Uma das atrações da feira permite observar células e estruturas das plantas com a ajuda de microscópios. Os visitantes conseguem enxergar detalhes que não são visíveis a olho nu, como os vasos responsáveis pelo transporte de água e sais minerais.
A professora da UFMS Maria Ana Farinaccio, que integra o Conselho Superior da Sociedade Botânica do Brasil, explica que as plantas estão presentes na rotina das pessoas desde a hora em que acordam. O lençol de algodão, os móveis de madeira, os alimentos e muitos medicamentos são exemplos dessa relação. Segundo ela, até quem não tem o hábito de cultivar plantas depende delas diariamente.
O estudante de pós-graduação em Biologia Vegetal Guilherme Duarte, de 23 anos, conta que costuma surpreender os alunos com uma pergunta simples: quem comeu alguma planta no café da manhã? "E aí, eu falo: 'Mas você comeu um pão?' E aí, o pão vem de onde? O pão é feito com farinha de trigo, uma planta que faz parte da alimentação de milhões de pessoas.", conta.
Além dos microscópios, os visitantes podem conhecer projetos sobre conservação ambiental, reprodução das plantas e produção de exsicatas, que são amostras vegetais preservadas para estudo. Flores e plantas estudadas no local Gabi Cenciarelli Mais de 10 mil selos de plantas Entre as atrações da feira está a coleção do professor Bruno Edson Chavez, de 38 anos, da Universidade Estadual do Ceará. Ele estima ter mais de 10 mil selos com imagens de plantas, reunidos ao longo de cerca de 25 anos.
A coleção começou quando Bruno tinha aproximadamente 13 anos. A irmã recebia cartas e ele passou a guardar os selos das correspondências. Mais tarde, herdou a coleção de um tio e decidiu se dedicar principalmente aos exemplares relacionados à natureza.
Hoje, são pelo menos seis álbuns com imagens de plantas de diferentes países. Há selos de bambus, samambaias, arroz, milho, trigo e até algas. Alguns retratam espécies que não existem no Brasil.
Os preços variam. Bruno já comprou exemplares por 20 centavos, mas também chegou a pagar R$ 20 por um selo mais difícil de encontrar. "Eu também trabalho com selos para poder divulgar botânica nas escolas", explica.
O professor utiliza a coleção nas aulas para apresentar a diversidade vegetal de diferentes regiões do mundo. Entre os selos que mais gosta estão os de gramíneas, grupo de plantas que estuda. Geleia de tereré e artesanato A feira também reúne produtos e trabalhos que mostram outros usos das plantas.
Entre eles estão peças de artesanato regional e uma geleia de tereré, feita a partir de uma das bebidas mais tradicionais de Mato Grosso do Sul. As atividades incluem projetos da UFMS, como o Dedo Verde, voltado à educação ambiental, e o Sabores, que apresenta diferentes usos das plantas.
A professora Suzete Wiziack explica que as estações foram preparadas por estudantes de Biologia, com orientação dos professores, para mostrar desde as características mais conhecidas das plantas até estruturas que só podem ser observadas com equipamentos. Ciência fora da universidade Além das curiosidades, a exposição aborda problemas ambientais, como o aquecimento global, o assoreamento dos rios e a importância da conservação da vegetação.
Para a professora Maria Ana Farinaccio, o contato com essas informações pode ajudar a mudar a maneira como as pessoas enxergam as árvores e outras plantas presentes nas cidades. "A gente quer acabar com essa ideia que planta atrapalha a vida da gente", afirma. Segundo ela, até as folhas que caem das árvores têm importância, pois podem se decompor e servir de adubo para o solo.
O 76º Congresso Nacional de Botânica reúne pesquisadores do Brasil e de outros países para apresentar estudos e trocar experiências. A feira é uma das atividades voltadas à aproximação entre a ciência e a população. A organização pretende realizar uma nova edição da "Botânica na Praça" em um espaço público de Campo Grande, mas ainda não há data definida.
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