Conheça o 'Clã Jafar', a família suspeita em esquema de R$ 27 milhões em MS A empresária Rossana Paroschi Jafar conseguiu reverter na Justiça a prisão preventiva em prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica. A decisão, da juíza Eucelia Moreira Cassal, da 3ª Vara Criminal de Campo Grande, levou em consideração o estado de saúde da investigada, que sofreu duas crises convulsivas desde que foi presa, em julho.
Rossana é acusada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) de ser uma das líderes do grupo investigado por supostas fraudes em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro em diversos municípios do estado. O caso é investigado no âmbito da Operação Gutenberg. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Segundo as investigações, as fraudes teriam movimentado cerca de R$ 27 milhões.
🔎 O que foi a Operação Gutemberg? - O grupo utilizava a regulação de vagas de exames, cirurgias e leitos do Sistema Único de Saúde como condição para forçar prefeituras municipais a comprarem livros paradidáticos. Estado de saúde fundamentou a decisão A concessão da prisão domiciliar foi baseada no artigo do Código de Processo Penal que autoriza a medida quando o investigado estiver extremamente debilitado em razão de doença grave.
Conforme laudos médicos anexados aos autos pela defesa, Rossana tem diagnóstico de epilepsia crônica e registrou seis crises convulsivas desde 2022. Duas delas ocorreram após a empresária ser presa. Um laudo médico emitido neste mês apontou que a permanência da empresária em regime fechado poderia dificultar o acesso a neurologistas, exames de rotina e ajustes na dosagem de medicamentos de uso contínuo.
Rossana Paroschi Jafar Redes Sociais A juíza considerou que a manutenção da prisão em unidade prisional apresentava riscos concretos à integridade física da investigada. Segundo a decisão, a prisão domiciliar permite assegurar o tratamento médico adequado sem comprometer o andamento da investigação.
"Ressalte-se que a prisão domiciliar, no caso, não representa impunidade ou benesse, mas sim medida que visa garantir o tratamento médico adequado a requerente, sem comprometer os objetivos da persecução penal", diz trecho da decisão.
Condições para cumprir prisão em casa Para permanecer em prisão domiciliar, Rossana Paroschi Jafar deverá cumprir uma série de condições estabelecidas pela Justiça: Recolhimento integral: permanecer no endereço cadastrado, na Rua Rui Barbosa, no centro de Campo Grande; Monitoramento eletrônico: usar tornozeleira eletrônica pelo período de 180 dias; Proibição de deslocamento: não deixar Campo Grande sem autorização judicial prévia; Saídas para atendimento médico: deixar o imóvel exclusivamente para consultas, exames ou outros atendimentos de saúde autorizados, com obrigação de apresentar os respectivos comprovantes à Justiça em até cinco dias após cada procedimento.
A decisão estabelece que o descumprimento injustificado das condições poderá resultar na revogação da prisão domiciliar e no retorno de Rossana ao presídio. Pedidos de anulação e excesso de prazo são negados Apesar de conceder a prisão domiciliar, a Justiça negou os pedidos da defesa para revogar integralmente a prisão preventiva. Os advogados sustentavam que decisões anteriores deveriam ser anuladas após o reconhecimento da incompetência da 2ª Vara Criminal e também alegavam excesso de prazo.
LEIA TAMBÉM: Crime em família: como mãe e filhos suspeitos usaram gráfica para fraudar R$ 27 milhões Ex-prefeito, médica e advogados: os presos suspeitos de fraude de R$ 27 milhões Ao analisar os argumentos, a juíza explicou que há um conflito negativo de competência pendente de julgamento no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS). Segundo ela, a designação da 3ª Vara Criminal para analisar medidas urgentes tem caráter provisório.
Dessa forma, a magistrada entendeu que não havia motivo, neste momento, para anular os atos processuais praticados anteriormente. "Clã Jafar" Rossana Paroschi Jafar foi denunciada pelo MPMS por supostamente integrar uma organização criminosa e pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção ativa.
Segundo as investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), após a morte do marido, Mirched Jafar Junior, ex-sócio da Gráfica Alvorada e investigado na Operação Lama Asfáltica, Rossana e os filhos teriam constituído uma nova empresa, a Editora Avante, cuja razão social é Souza & Fanaia. A suspeita é de que a empresa teria sido utilizada para dar continuidade ao suposto esquema de repasse ilícito de recursos públicos.
De acordo com o MPMS, o grupo teria simulado exclusividade editorial para viabilizar a venda direta de livros paradidáticos, entre eles O Mundo Azul de Theo e O Fantástico Mundo do Capitão Theo, a prefeituras por meio de contratações diretas, sob alegação de inexigibilidade de licitação. As investigações citam contratos com os municípios de Angélica, Miranda, Ivinhema, Douradina, Bonito e Ladário.
Segundo a acusação, o esquema envolveria o pagamento de propinas a agentes públicos e a pulverização dos valores recebidos em diferentes contas bancárias. A operação foi deflagrada em 7 de julho pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). Entre os investigados presos na operação está um núcleo da família Paroschi Jafar, apontado pelo MPMS como chefias da organização: A empresária Rossana Paroschi Jafar é apontada como uma das chefes do grupo.
Os filhos dela Olívia, Felipe e Giovanni Paroschi Jafar, além da ex-nora Rhayane Souza Fanaia também estão entre os alvos. Esta reportagem está em atualização*** Veja mais vídeos de Mato Grosso do Sul:
