Delegado e policiais suspeitos de desviar cocaína apreendida são alvos de operação em MS O delegado Hoffman D'Ávila Cândido e Sousa, da 6ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande, foi preso na tarde desta quinta-feira (24) durante a Operação “Infiltrados”, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). Ele é suspeito de usar a função pública para desviar drogas apreendidas em ocorrências policiais.
Conforme apurado pelo g1, Hoffman se entregou na sede da Corregedoria da Polícia Civil por volta das 17h, acompanhado do advogado. Outros dois policiais também se entregaram e vão permanecer presos. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Antes de ser transferido para a 6ª Delegacia, em junho deste ano, Hoffman foi titular da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) e do Grupo de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras).
Ele foi removido do Garras antes de assumir a 6ª Delegacia. O advogado do delegado Hoffman, Amilton Ferreira de Almeida, confirmou que o cliente não estava em casa durante o cumprimento dos mandados na residência. O g1 entrou em contato novamente com a defesa do delegado após ele se entregar, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
A operação investiga um esquema de desvio de drogas apreendidas em ocorrências policiais. Ao todo, são cumpridos 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos. Até o momento, o Gaeco confirmou a prisão de nove policiais civis, dois policiais militares e um policial penal.
Os mandados continuam em cumprimento, e o número de presos pode aumentar ao longo da operação. Histórico do delegado Delegado da Polícia Civil, Hoffman D'Ávila Cândido e Sousa. Adepol MS Ao longo de 12 anos, Hoffman passou por delegacias de Costa Rica e Campo Grande, atuou no combate ao tráfico de drogas e chegou a comandar o Grupo Armado de Repressão a Roubos, Assaltos e Sequestros (Garras).
2014 — Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa ingressou na Polícia Civil de Mato Grosso do Sul (PCMS) como delegado. Antes disso, trabalhou por cinco anos como escrivão de polícia em Goiânia (GO). 2014 a 2019 — Atuou em Costa Rica e na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) Piratininga, em Campo Grande.
2019 a fevereiro de 2026 — Passou a atuar na Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar), unidade responsável por investigações relacionadas ao tráfico de drogas. Ele chegou a assumir a titularidade da delegacia. 10 de fevereiro de 2026 — Foi designado para assumir a titularidade do Grupo Armado de Repressão a Roubos, Assaltos e Sequestros (Garras), em Campo Grande.
Junho de 2026 — Deixou o comando do Garras e foi removido para a 6ª Delegacia de Polícia de Campo Grande. 24 de setembro de 2026 — Hoffman se tornou alvo da Operação Infiltrados, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). Ele foi alvo de mandado de prisão preventiva e de busca e apreensão em uma investigação que apura a suspeita de participação de policiais em um esquema de desvio de drogas.
Três policiais civis presos Até o momento, o g1 apurou que três policiais civis foram presos: Weslei Benítez, Kayon Lucas Leodoro da Silva, conhecido como “LK”, e Heberti Barbosa. A defesa de Weslei afirmou que ele é inocente e que ainda busca esclarecer o motivo pelo qual ele é alvo do mandado de prisão. Segundo o advogado, Weslei era amigo próximo de Kayon e, como ele já havia sido preso anteriormente, a relação entre os dois teria motivado a inclusão de Weslei na investigação.
A defesa também afirmou que ele não tem relação com os policiais presos na operação. A defesa de Heberti afirmou que ainda não teve acesso aos documentos do caso e não sabe detalhes sobre a investigação. O g1 não localizou a defesa de Kayon.
Policiais são investigados por desvio de drogas As investigações começaram em outubro de 2025, a partir de provas descobertas durante as Operações Traquetos e Blindspot, também do Gaeco. Segundo o Ministério Público, as apurações apontaram a participação de policiais em um esquema de desvio de drogas, principalmente cocaína. Conforme o MPMS, os policiais investigados usavam as funções públicas para desviar drogas apreendidas em ocorrências.
Segundo a investigação, o esquema ocorria de duas formas: pela omissão de parte dos entorpecentes nos registros oficiais ou pela retirada da droga diretamente dos depósitos das delegacias. Ainda segundo a investigação, a droga desviada era repassada a traficantes ligados à organização criminosa, que a colocavam novamente no mercado ilegal.
Em nota, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) afirmou que os servidores das forças de segurança já eram investigados pelas corregedorias por tráfico de drogas e outros crimes. Segundo a secretaria, três deles já haviam sido presos anteriormente e um foi exonerado recentemente, mas os nomes não foram informados. Veja a nota na íntegra ao final da reportagem.
A operação tem apoio das corregedorias das polícias Civil e Militar, do Batalhão de Choque, do Bope e da Polícia Institucional do Ministério Público Federal. A Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul (OAB/MS) também acompanha as diligências na residência de uma advogada.
O nome da operação, “Infiltrados”, faz referência, segundo o MPMS, à presença de integrantes da organização criminosa em órgãos de segurança pública e ao uso de funções e estruturas destinadas ao combate ao crime para a prática dos delitos investigados.
O que diz a Sejusp "A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informa que a Operação “Infiltrados”, deflagrada nesta quinta-feira (24) pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) juntamente com as Corregedorias da Polícia Civil e da Polícia Militar visa o cumprimento de mandados de busca e apreensão e prisão de investigados por tráfico de drogas e outros crimes.
A operação envolve servidores das forças de segurança pública que já eram investigados pelas respectivas Corregedorias, sendo que três deles já haviam sido presos anteriormente e um inclusive exonerado recentemente. A Sejusp e as forças de segurança de Mato Grosso do Sul não compactuam com qualquer desvio de conduta ou prática ilícita por parte de seus integrantes. Eventuais desvios serão apurados com rigor, observando a legislação vigente, o devido processo legal e as garantias individuais dos investigados.
A Secretaria reafirma seu compromisso com a legalidade, a máxima transparência e o fortalecimento dos mecanismos de controle e correição das instituições que a integram." Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:
