Ao completar 80 anos, o Sesc celebra uma trajetória construída por histórias, encontros e oportunidades que contribuem para a qualidade de vida de milhões de brasileiros em todo o país. Divulgação O Sesc é feito de histórias que atravessam gerações Há histórias que começam em uma sala de aula, ganham novos sentidos em um grupo de convivência ou encontram na música uma possibilidade de futuro.

Em diferentes regiões do Brasil, experiências como essas fazem parte do cotidiano de pessoas que encontram no Sesc oportunidades de aprendizado, inclusão, socialização e desenvolvimento. Criado em 13 de setembro de 1946, por iniciativa dos empresários do comércio de bens, serviços e turismo, o Sesc completa 80 anos em 2026. Ao longo dessa trajetória, a instituição ampliou sua atuação para áreas como educação, saúde, cultura, lazer e assistência, com iniciativas voltadas à qualidade de vida e ao bem-estar social.

Mais do que números e estruturas, essa presença pode ser percebida nas histórias de quem participa de suas atividades. Em Tocantins, no Rio Grande do Sul e no Pantanal mato-grossense, três personagens mostram, a partir de suas próprias experiências, diferentes formas de como o Sesc se integra à vida das pessoas Inclusão que abre caminhos para novas possibilidades Em Palmas, no Tocantins, a enfermeira Camila Barros, de 42 anos, encontrou no Sesc um espaço de participação e desenvolvimento para as três filhas.

Entre elas está Heloísa, uma das gêmeas, que nasceu prematura e foi diagnosticada com mielomeningocele, além de ter evoluído para hidrocefalia. Heloísa, filha de Camila Barros, participa de atividades do Sesc em Palmas (TO), onde encontram oportunidades de inclusão, convivência e desenvolvimento. Divulgação A relação da família com a instituição começou quando as meninas tinham três anos e iniciaram as aulas de natação.

Desde então, Heloísa passou a experimentar diferentes atividades, em um ambiente que, segundo Camila, busca encontrar maneiras para que ela participe das experiências junto com as outras crianças. “Uma das coisas que mais me chamou e continua me chamando a atenção no Sesc é justamente a inclusão. A gente realmente se sente incluído” Para ela, a inclusão se revela nos momentos em que os profissionais procuram alternativas para garantir a participação da filha.

Em uma visita ao parque, por exemplo, quando a cadeira de rodas não conseguia subir, professoras se revezaram para levar Heloísa no colo. Em outra atividade, um professor subiu em uma árvore com a menina, para que ela também pudesse participar. Uma das lembranças mais marcantes aconteceu antes mesmo de Heloísa se tornar aluna da escola.

Durante o período em que Camila buscava a filha depois das terapias, a menina passou a frequentar o Sesc diariamente, acompanhando a irmã. No encerramento daquele primeiro ano, recebeu um convite para participar de uma apresentação no Palquinho do Dourado. “E o mais bonito foi perceber que eles simplesmente incluíram ela.

Não fizeram aquilo como um favor. Ela era parte daquele momento” A experiência reforçou na mãe a percepção de que a filha poderia ser reconhecida por suas capacidades e possibilidades. Para Camila, garantir que Heloísa tenha acesso a espaços de convivência, aprendizado e desenvolvimento é também uma forma de construir autonomia.

“Para mim, significa dignidade. É dar para ela a oportunidade de viver, experimentar, aprender e se desenvolver como qualquer outra criança” Ao resumir o significado do Sesc para sua família, Camila escolhe uma palavra: pertencimento “É um lugar onde minhas filhas crescem, descobrem o mundo, fazem amigos, aprendem e vivem a infância” A força da convivência e da solidariedade No Rio Grande do Sul, a história de Gladis Delavald está ligada à convivência, à participação social e ao trabalho voluntário.

Moradora de Lajeado, ela participa há cerca de 13 anos das atividades da Maturidade Ativa do Sesc, grupo do programa Trabalho Social com Pessoas Idosas (TSPI). Gladis Delavald participa do Maturidade Ativa no Sesc em Lajeado (RS) e integra um grupo de tricoteiras que confecciona peças destinadas à doação. Divulgação Depois de interromper o trabalho na floricultura e passar por uma cirurgia para colocar prótese no joelho, Gladis procurou o Sesc.

O que começou como uma busca por uma nova rotina se transformou em uma experiência de convivência que permanece até hoje. “É que a gente tem que sempre ter uma ocupação, né? Ficar sem fazer nada, a cabeça da gente para” Entre as experiências que fazem parte de sua trajetória está o grupo de tricoteiras, formado por cerca de 25 a 30 mulheres.

As participantes se reúnem uma vez por mês, compartilham materiais e levam os trabalhos para casa, onde confeccionam peças que posteriormente são destinadas a doações. O grupo produz itens como roupas infantis, meias, cachecóis e toucas. Segundo Gladis, foram doadas 530 peças de tricô ao longo do ano mencionado na entrevista.

A iniciativa também enfrentou as consequências das enchentes que atingiram o estado. Em um dos episódios, materiais do grupo foram atingidos pelo lodo, e a sala utilizada pelas participantes foi perdida. Gladis conta que lavou o que foi possível recuperar e que o grupo retomou a produção, convidando mais pessoas a participar.

“Meu Deus, pra mim é uma bênção, porque eu sempre acho assim, fazendo o bem pros outros, tu faz pra... Em dobro, tu ganha em dobro pra ti” Para ela, o trabalho coletivo representa mais do que a produção de peças. É uma oportunidade de fortalecer vínculos, compartilhar carinho e ajudar pessoas que precisam.

As participantes também realizam feirinhas e rifas para arrecadar recursos destinados à compra de lã. A convivência é outro aspecto central do relato. Gladis destaca a relação com a orientadora Débora e com as amigas do grupo, especialmente em momentos de dificuldade.

“Às vezes tu sai de casa meio triste, mas tu volta feliz” A frase resume o significado que a participação no Sesc tem para Gladis: um espaço de encontros, acolhimento e incentivo para continuar ativa. Na música, um caminho para o futuro No Polo Socioambiental Sesc Pantanal, a música faz parte da formação de Victor Juliano, de 15 anos, integrante da Orquestra Jovem Sesc Brasil. Ele participa da Orquestra Jovem do Polo Socioambiental Sesc Pantanal desde os oito anos e toca instrumentos de percussão.

Victor Gabriel integra a Orquestra Jovem Sesc Pantanal, onde descobriu na música uma oportunidade de aprendizado, convivência e construção de sonhos. Divulgação O primeiro contato com a orquestra aconteceu por meio de um primo, que já participava das aulas. Ao assistir aos músicos, Victor se interessou e decidiu se inscrever.

“Eu vi todo mundo tocando e me encantei e eu quis aprender também” O início foi marcado por desafios. Victor relata que nunca havia visto uma partitura e que teve dificuldades para aprender os instrumentos e desenvolver a coordenação motora. Com o tempo e a prática, conseguiu avançar no aprendizado e passou a se identificar especialmente com o pandeiro.

A música também transformou a maneira como ele vivencia a rotina. Antes de começar a tocar, suas semanas eram, segundo ele, como as de qualquer outra pessoa. Depois, os dias ficaram mais alegres e animados, e ele passou a esperar pelas aulas com ansiedade.

A participação na Orquestra Jovem Sesc Brasil ampliou ainda mais essa experiência. O grupo reúne jovens de diferentes estados, permitindo que Victor conheça pessoas que compartilham o interesse pela música e enxergam nela uma possibilidade de formação. Para ele, o aprendizado ultrapassa o domínio dos instrumentos.

A convivência com outros músicos também ensinou a importância de escutar e respeitar as pessoas. “Que nós sempre devemos escutar uns aos outros e que ninguém é melhor que ninguém” Victor deseja seguir na música e considera dois caminhos para o futuro: tornar-se baterista ou professor, ensinando crianças e jovens sobre as oportunidades que a música pode oferecer.

“Eu queria ser um baterista ou um professor para ensinar os jovens e crianças que a música pode te levar a muitos lugares que você nem imagina que teria ali” A experiência dele se conecta a uma ideia que também aparece nos relatos de Camila e Gladis: o desenvolvimento de novas possibilidades a partir do acesso a atividades, pessoas e espaços de convivência. Uma trajetória construída junto à sociedade As histórias de Camila, Gladis e Victor mostram diferentes dimensões da atuação do Sesc.

A instituição desenvolve iniciativas que abrangem públicos de diferentes idades e contextos, com ações voltadas à educação, saúde, cultura, lazer e assistência. Atualmente, o Sesc conta com mais de 11 milhões de credenciados em todo o Brasil. Sua estrutura reúne 650 unidades fixas e 169 unidades móveis, que possibilitam a oferta de serviços e atividades em todas as regiões do país.

Na área cultural, são 121 teatros, 95 galerias de arte, 143 espaços expositivos, 72 cinemas e 344 bibliotecas, entre outras instalações. A Rede Sesc de Educação atende da Educação Infantil ao Ensino Médio e à Educação de Jovens e Adultos, com 234 escolas e 70 polos de ensino a distância do Sesc EAD EJA. A instituição também mantém uma ampla estrutura de lazer, com 492 piscinas, 310 quadras esportivas, 277 academias e 148 ginásios, além de uma rede de Turismo Social com 43 hotéis.

O compromisso com os próximos anos Para José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, os 80 anos do Sesc representam uma trajetória construída em conjunto com os trabalhadores do comércio de bens, serviços e turismo e suas famílias. “Completar 80 anos é a expressão de uma trajetória construída junto aos trabalhadores do comércio de bens, serviços e turismo e suas famílias e que, ao longo do tempo, passou a fazer parte da vida de milhões de brasileiros.

Criado por iniciativa do empresariado do setor, o Sesc atua nas áreas de educação, saúde, cultura, lazer e assistência, contribuindo para a qualidade de vida e para a formação de cidadãos mais conscientes e participativos.” A declaração destaca a relação histórica da instituição com o setor do comércio e sua atuação em diferentes áreas do desenvolvimento social.

Ao completar oito décadas, o Sesc reúne uma trajetória formada por programas, unidades, profissionais e, principalmente, pelas pessoas que participam de suas atividades. Histórias como as de Camila e sua família, Gladis e Victor ajudam a mostrar como essa atuação se concretiza no cotidiano, seja na oportunidade de inclusão, no fortalecimento dos vínculos ou na descoberta de um novo caminho por meio da música. Descubra mais sobre os 80 anos do Sesc e conheça as histórias acessando o site.